Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, durante uma entrevista coletiva em Bagdá, em 5 de fevereiro de 2011.

(afp_tickers)

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, aceitou deixar o cargo, cedendo à pressão da comunidade internacional, ansiosa pela instalação de um novo poder com capacidade para enfrentar a ofensiva jihadista e a decorrente crise humanitária.

Para ajudar a conter o avanço dos jihadistas do Estado Islâmico (EI) no norte do país, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reuniram nesta sexta-feira em Bruxelas e apoiaram a entrega de armas aos combatentes curdos no Iraque.

Chegou-se a uma "posição comum", anunciou o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, afirmando que "a UE saúda o fato de que alguns países tenham respondido favoravelmente ao pedido das forças curdas iraquianas".

A decisão de fornecer armas é de cada Estado-membro. Alguns países tinham reservas sobre a medida, por considerarem perigoso mandar armamentos para uma zona de guerra instável. A justificativa é que combatentes e armas podem mudar de lado com certa rapidez.

Também nesta sexta, o Conselho de Segurança da ONU adotou por unanimidade uma resolução, visando a impedir o recrutamento e o financiamento dos jihadistas na Síria e no Iraque.

O Conselho também acrescentou os nomes de seis extremistas à sua lista de indivíduos submetidos a sanções internacionais por manterem relações com a Al-Qaeda. Entre eles estão líderes do Estado Islâmico e da Frente Al-Nusra. As sanções incluem embargo às armas, congelamento de bens e proibição de viajar.

Com a saída do xiita Maliki, no poder desde 2006, a grande pergunta é se o novo premiê, seu correligionário Haidar al-Abadi, será capaz de promover as mudanças profundas necessárias para unir um país dividido por facções étnico-religiosas.

A decisão de Maliki foi considerada "um grande passo à frente" por Washington e "um passo histórico" pela ONU.

Depois de dois mandatos, Maliki declarou que, com sua renúncia a um terceiro mandato, quer "facilitar o avanço do processo político e a formação do novo governo".

Segundo seus críticos, sua política semeou discórdia entre os sunitas, majoritários no centro do país. A região foi tomada pelos jihadistas, em boa parte, em uma campanha relâmpago em junho passado.

Salah Abu al Qassem, um morador de Bagdá de 38 anos, minimizou o potencial de mudança, alegando que Abadi e Maliki vêm "da mesma escola".

"Não acho que essa mudança de governo seja uma solução para o Iraque", comentou Mohamed Mayid, de 53 anos, que mora em Samarra, norte de Bagdá. "Nós, os sunitas, ficamos marginalizados por dez anos por parte do Partido Dawa", de Maliki e Abadi, completou Mayid.

Nesse contexto, o xeque e chefe tribal Abdelyabar Abu Risha afirmou que 25 tribos sunitas da província de Anbar anunciaram uma aliança para lutar contra o EI. Algumas dessas províncias se negavam a se aliar a um governo dirigido por Maliki.

"Essa revolução foi acordada com todas as tribos que querem lutar contra o EI, que derramou nosso sangue", afirmou.

Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avaliou que, graças a uma semana de operações aéreas americanas, foi possível romper o cerco da montanha de Sinjar, no norte do Iraque.

Milhares de pessoas fugiram para o Curdistão iraquiano, uma região que goza de autonomia, passando pela Síria.

Com a escalada das últimas semanas, os milhares de cristãos, yazidis, turcomanos e shabaks deslocados têm cada vez menos esperança de voltar logo para casa.

AFP