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Simpatizantes do presidente egípcio deposto pelos militares, Mohamed Mursi, protestam para marcar a data em que o massacre de Rabaa, no Cairo, completa um ano, em Washington.

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Pelo menos três pessoas morreram nesta quinta-feira no Cairo durante manifestações de seguidores do presidente deposto Mohamed Mursi, no dia em que se completa um ano da violenta repressão contra manifestações islamitas.

No dia 14 de agosto de 2013, pouco mais de um mês depois da destituição e prisão de Mursi pelo ex-chefe do Exército e atual presidente Abdel Fattah al-Sissi, as forças de segurança reprimiram com brutalidade duas concentrações nas praças de Rabaa al-Adawiya e Nahda, no Cairo, deixando mais de 700 mortos em algumas horas, de acordo com um registro oficial.

A Organização Internacional Human Rights Watch (HRW) acusou as novas autoridades de terem cometido um massacre que "se assemelha, provavelmente, a um crime contra a Humanidade", exigindo que Sissi fosse investigado.

Os seguidores de Mursi tinham convocado a manifestação na quinta com o lema "Exigimos uma punição". Apesar da mobilização abaixo do esperado, episódios de violência voltaram a ser registrados.

Quatro pessoas morreram no Cairo em diferentes confrontos entre a polícia e manifestantes pró-Mursi ou envolvendo também grupos contrários ao presidente deposto, indicaram autoridades das forças de segurança.

Mais cedo, um policial tinha sido morto a tiros por agressores não identificados no subúrbio sul do Cairo. O Ministério do Interior acusou partidários de Mursi de estarem por trás do ataque.

As forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar três manifestações a favor de Mursi na cidade litorânea de Alexandria (norte). Também houve enfrentamentos entre policiais e manifestantes na aldeia de Kerdassa, subúrbio da capital egípcia, e na província de Charquiya, no Delta do Nilo, segundo as mesmas fontes.

No total, pelo menos 14 pessoas ficaram feridas e 114 foram detidas durante manifestações em todo o país, de acordo com fontes da segurança e o Ministério do Interior.

Prevendo manifestações, a polícia tinha sido mobilizada perto das praças de Rabaa al-Adawiya e Nahda, e da emblemática Praça Tahrir, epicentro da revolta de 2011 que derrubou o ditador Hosni Mubarak e permitiu a chegada de Mursi ao poder, em junho de 2012. Mursi foi deposto pouco mais de um ano depois, em julho de 2013.

Durante a sua campanha para a eleição presidencial de maio deste ano, Sissi prometeu "erradicar" a Irmandade Muçulmana de Mursi, que já havia sido declarada "organização terrorista" em dezembro de 2013.

Com isso, o movimento entrou para a clandestinidade, mesmo tendo vencido todas as eleições desde a revolta de 2011.

Mais de 15.000 militantes e simpatizantes foram presos. Centenas foram condenados à morte em processos sumários.

As ONGs de defesa dos direitos humanos denunciam o do Egito retorno a um poder militar mais repressor ainda do que o de Mubarak, que governou durante 30 anos com mão de ferro.

AFP