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Várias manifestações invadem Barcelona, nesta sesta sexta-feira, em repúdio às operações policiais de Madri para tentar impedir a realização do referendo de autodeterminação em 1º de outubro

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Várias manifestações tomaram as ruas de Barcelona, nesta sexta-feira (22), em repúdio às operações policiais de Madri para tentar impedir a realização do referendo de autodeterminação em 1º de outubro.

"O que vimos esses dias (...) são mobilizações tumultuadas", criticou o porta-voz do governo espanhol, Íñigo Méndez de Vigo, justificando o envio de um amplo reforço policial para esta região de 7,5 milhões de habitantes, com suas autoridades e parte de sua cidadania em rebeldia contra o poder central.

A mobilização policial e judicial contra a votação aumentou na quarta-feira com a detenção de 14 autoridades políticas, a intervenção financeira da administração regional e o confisco de material eleitoral.

Nesse dia, milhares se manifestaram em frente à sede da vice-presidência regional, bloqueando durante horas vários agentes da Guarda Civil que haviam inspecionado o edifício.

"Até quando Puigdemont vai continuar abusando e pressionando o povo da Catalunha?", perguntou com veemência a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría.

Desde então, protestos têm proliferado na região.

Nesta sexta-feira, manifestantes se concentravam em frente ao tribunal onde depuseram alguns políticos detidos, já em liberdade. Centenas de estudantes também ocupavam o edifício principal da Universidade de Barcelona, e outro grupo protestava desde quinta-feira em frente ao Tribunal Superior de Justiça regional.

Um amplo número de catalães não deseja, porém, a secessão. Hoje, cerca de 300 pessoas atenderam à convocação de um ato da ultradireita na frente da sede da ANC. Algumas delas tentaram agredir militantes separatistas.

Afastado da confusão e com uma bandeira da Espanha nas costas, Albert Pallás disse querer um referendo, mas "legal".

"Todos temos de respeitar as leis, pagar nossos impostos", alegou esse advogado de 24 anos.

- Pressão policial -

Embora o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, tenha dado por desarticulado o referendo de quarta-feira, após as detenções e o confisco de milhões de cédulas de votação, as operações policiais continuam.

Nesta sexta-feira, a Guarda Civil realizou uma inspeção "com resultado negativo" em uma empresa de embalagem de papelão a 60 km de Barcelona, inicialmente à procura de urnas eleitorais, cuja localização é secreta.

O ministro do Interior espanhol, Juan Ignacio Zoido, também advertiu o governo regional por carta sobre o envio de reforços da Polícia Nacional e da Guarda Civil, que "atuarão caso seja mantido o referendo ilegal".

O Ministério teve de fretar três embarcações atracadas nos portos de Barcelona e de Tarragona para alocar milhares deles. A Justiça também ordenou o fechamento do site que informa a localização dos colégios eleitorais.

A isto se somou o pedido da Procuradoria da Audiência Nacional de Madri de abrir uma investigação por "sedição" pelos protestos de quarta-feira em Barcelona diante da retenção de diversos agentes da Guarda Civil e da destruição de três viaturas.

A Procuradoria pede a identificação de "possíveis responsáveis" e aponta para duas figuras emblemáticas do separatismo catalão, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, presidentes da Assembleia Nacional da Catalunha (ANC) e da Omnium Cultural, entidades organizadoras das manifestações em massa dos últimos anos.

Os separatistas rejeitaram as acusações de "tumulto" feitas por Madri, denunciando as autoridades espanholas por tentarem criar um falso relato dos fatos.

"As manifestações são absolutamente cívicas, pacíficas e alegres. Nada a ver com um tumulto", disse o porta-voz do governo regional, Jordi Turull.

- 'Desculpe, Espanha, a Catalunha votará' -

Apesar disso, o governo regional de Carles Puigdemont não renuncia a essa votação suspensa pelo Tribunal Constitucional.

"Desculpe, Espanha, a Catalunha votará sobre a independência - vocês gostando, ou não", escreveu o presidente regional em uma matéria no jornal americano "The Washington Post", no qual se queixou de "três séculos sob o poder da Espanha".

Sua causa recebeu um apoio sutil do Parlamento europeu, onde 47 de seus 750 deputados mandaram uma carta para Rajoy. Nela, denunciaram "ações repressivas" e "um abuso de poder" de seu governo, assegurando, como Puigdemont, que a região vive em "estado de sítio encoberto".

A pressão de Madri rendeu frutos. Nesta sexta-feira, tiveram de destituir o número dois do Departamento da vice-presidência, Josep Maria Jové, homem-chave na infraestrutura eleitoral, multado em 12.000 euros diários pelo Tribunal Constitucional até a suspensão do referendo.

Abandonaram seus cargos os cinco membros da sindicância eleitoral criada para supervisionar a votação, ameaçados com as mesmas multas, e cederam suas funções a um grupo de acadêmicos internacionais recrutados para atuar como observadores internacionais, informou uma fonte do governo.

"Este é um referendo ilegal que não vai acontecer. Também não tem nenhuma garantia democrática", afirmou Méndez de Vigo.

Mas os ânimos nos protestos de Barcelona eram muito diferentes: "o que a Espanha diz não me importa!", disse com veemência a balconista Miriam de Simón, de 50 anos.

"Vão votar com certeza", ainda que seja uma incógnita, afirmou.

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AFP