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Ativistas homossexuais participam da Parada Gay em São Paulo, no dia 18 de junho de 2017

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Milhares de pessoas se manifestaram nesta sexta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades do país contra uma liminar que abriu a possibilidade de tratar a homossexualidade como uma doença.

Com cartazes que proclamavam "Cure os preconceitos!" e bandeiras de arco-íris do movimento LGBT, as marchas se estenderam ao longo da avenida Paulista, em São Paulo, e da avenida Rio Branco até a Cinelândia, no Rio, de acordo com jornalistas da AFP no local.

"Já temos que lutar contra muito preconceito para ter que lidar com esses psicólogos que fazem pseudociência", disse o professor de história Leo Rosetti, de 38 anos, que participava do protesto no Rio.

Em São Paulo, houve confrontos entre manifestantes e policiais, que terminaram com dois detidos.

O juiz Waldemar de Carvalho, de Brasília, ordenou, na última segunda-feira, ao Conselho Federal de Psicologia (CFP) que se deixe de proibir as terapias de reversão sexual.

A medida foi solicitada por um grupo de psicólogos. Até então, essa prática podia levar à suspensão da licença profissional.

O CFP apresentou imediatamente um recurso judicial advertindo que a decisão "abre a perigosa possibilidade de uso de terapias de (re)orientação sexual", que representam "uma violação dos direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico".

"Se eu reoriento, eu faço isso a partir de uma visão de que há um desvio que precisa ser reorientado. Então, tirando todos os eufemismos, tirando todos os sofismas, o que diz essa resolução é que as sexualidades não heteronormativas são desviadas, portanto são uma patologia que deve ser tratada", disse Rogério Gianinni, presidente do CFP, em uma coletiva de imprensa em Brasília.

"A ação de um juiz é muito representativa do momento conservador que estamos vivendo no Brasil, de muitas derrotas sociais. Para mim quase chegou como uma graça, porque tenho um bom suporte familiar e de amigos. Mas e os que não têm? É simplesmente absurdo", disse no protesto no Rio Matheus Foster, promotor cultural de 30 anos.

A sentença do juiz Carvalho não suspende os efeitos da resolução do CFP, mas ordena que este deixe de interpretá-la "de modo que impeça os psicólogos de promoverem os estudos ou o atendimento profissional, de forma reservada, pertinente" da (re)orientação sexual.

Segundo o Conselho, essa interpretação vai contra o posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que definiu a homossexualidade como uma variação natural da sexualidade humana.

Somente em 2016 o Brasil registrou 343 pessoas LGBT assassinadas em crimes relacionados à chamada LGBTfobia, o que faz do país o primeiro em quantidade de homicídios de homossexuais do mundo.

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AFP