Navigation

Manifestante indígena morre em protestos no Equador

Polícia dispersa manifestantes perto da Casa da Cultura Equatoriana, em Quito, em 21 de junho de 2022 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. junho 2022 - 08:58
(AFP)

Um manifestante indígena morreu na terça-feira em confrontos com as forças de segurança pública, o que eleva a dois o número de vítimas fatais após nove dias de protestos no Equador contra o governo do presidente conservador Guillermo Lasso, denunciados pelos militares como um "sério risco" para a democracia.

Com pedaços de madeira e escudos artesanais, quase 10.000 indígenas - segundo as autoridades - protestaram em vários pontos de Quito, reiterando a exigência de redução dos preços dos combustíveis no país.

Em uma carta divulgada no Twitter, Lasso aceitou, "pelo bem do país", participar em "um processo de diálogo franco e respeitoso" com a Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), a influente organização indígena que convocou os protestos.

O líder da Conaie, Leónidas Iza, respondeu condicionando o diálogo à revogação do estado de exceção em vigor em seis das 24 províncias do país, que mobilizou os militares para tentar restabelecer a ordem.

Em uma declaração divulgada nas redes sociais, o dirigente indígena destacou que a resposta do governo aos protestos "apenas conseguiu exacerbar os ânimos da população e gerar graves escaladas do conflito". Ele pediu a "redução das ações repressivas".

Lasso, que assumiu o poder em maio de 2021, denunciou que o movimento indígena quer "expulsá-lo".

Os maiores confrontos se concentraram no norte da capital equatoriana - uma cidade de três milhões de habitantes -, perto da Universidade Salesiana que abriga os manifestantes.

Os policiais tentaram dispersar o protesto com gás lacrimogêneo e jatos de água.

A presença policial era grande na área. A Casa da Cultura Equatoriana (CCE), um prédio que tradicionalmente é o ponto de encontro dos indígenas, foi tomado pela polícia para monitorar os protestos.

- Segunda morte -

Também aconteceram manifestações no sul de Quito e perto da estatal Universidade Central (norte), assim como em outras partes do país.

A Aliança de Organizações pelos Direitos Humanos informou que um manifestante indígena morreu na terça-feira em um "confronto" com as forças de segurança na cidade amazônica de Puyo (sudeste).

A polícia informou que "presume que a pessoa morreu em consequência da manipulação de um artefato explosivo".

Com a morte, o balanço de vítimas fatais das manifestações sobe para dois, segundo a Aliança. Na segunda-feira um jovem morreu após cair em um barranco durante os protestos e o Ministério Público abriu uma investigação por suposto homicídio.

Em seu balanço mais recente, o grupo de defesa dos direitos humanos registra 90 feridos e 87 detidos desde o início dos protestos.

A polícia informou que 101 agentes (incluindo 21 militares) ficaram feridos, 27 foram retidos temporariamente pelos participantes dos protestos e que 80 manifestantes foram detidos.

Após nove dias de protestos em vários pontos do país, que bloquearam vias com barricadas e afetaram a produção de petróleo, o ministro da Defesa, Luis Lara, expressou que "a democracia do Equador corre sério risco diante da ação coordenada de pessoas exaltadas, que impedem a livre circulação da maioria dos equatorianos", afirmou, ao lado dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

"As Forças Armadas não permitirão tentativas de romper a ordem constitucional ou qualquer ação contra a democracia e as leis da república", afirmou Lara, que falou também em representação das três forças.

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?

Não foi possível salvar sua assinatura. Por favor, tente novamente.
Quase terminado… Nós precisamos confirmar o seu endereço e-mail. Para finalizar o processo de inscrição, clique por favor no link do e-mail enviado por nós há pouco

Leia nossas mais interessantes reportagens da semana

Assine agora e receba gratuitamente nossas melhores reportagens em sua caixa de correio eletrônico.

A política de privacidade da SRG SSR oferece informações adicionais sobre o processamento de dados.