Os manifestantes no Sudão endureceram sua posição, nesta terça-feira (16), e pediram a dissolução do Conselho militar de transição e sua substituição imediata por civis, durante um novo protesto diante do quartel-general do Exército.

"O Exército vai tentar de novo dispersar os manifestantes, porque está sob pressão, mas não estamos dispostos a ir embora (...). Talvez seja uma longa batalha, mas temos que lutar pelos nossos direitos", disse à AFP Ahmed Najdi, um dos manifestantes.

A Associação de Profissionais Sudaneses (SPA), que lidera os protestos que varrem o país desde 19 de dezembro, pediu pela primeira vez que o Conselho militar de transição seja dissolvido e substituído por um Conselho civil que inclua militares.

Para a SPA, esta é uma condição imprescindível para participar de um futuro governo de transição.

A associação endureceu o tom na segunda-feira, após denunciar uma tentativa de dispersão da concentração de manifestantes. A multidão permanece sentada, reunida em uma esplanada diante do quartel-general desde 6 de abril.

Milhares de pessoas responderam a uma nova convocação da associação nesta terça e foram para esse mesmo local para proteger a "revolução".

Os manifestantes expressam um objetivo claro: a destituição do presidente Omar al-Bashir, na quinta-feira, e as promessas da junta militar que o substituiu, sem um calendário preciso, não são suficientes.

"Sabemos o que aconteceu no Egito e não queremos que aconteça o mesmo aqui", explicou Ahmed Najdi.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, foi derrubado por um movimento popular de protesto em 2011, como parte da chamada "Primavera Árabe". Permaneceu no poder por 30 anos. Em 2013, porém, o Exército liderado pelo general Abdel Fatah al-Sissi derrubou o novo presidente eleito, o islamista Mohamed Morsi. Al-Sissi ficou no poder e foi reeleito presidente no ano passado.

- Pressão internacional -

Ontem, a União Africana ameaçou suspender a participação do Sudão, se o Exército não ceder o poder a uma "autoridade política civil" dentro de 15 dias.

Vários países ocidentais também pediram às autoridades que não recorram à violência para dispersar as manifestações.

Pelo menos 65 pessoas morreram desde o início dos protestos, segundo um balanço oficial.

Após a queda de Bashir, militares e manifestantes confraternizaram nas ruas de Cartum, mas essas relações voltaram a ficar tensas.

No muro do QG, as Forças Armadas puseram um cartaz com a inscrição "mantenha distância", dirigido à população.

"Nossa principal demanda é que não haja violência, que não tentem dispersar a concentração à força", tuitou ontem o embaixador britânico no Sudão, Irfan Siddiq, após se reunir com o chefe adjunto do Conselho militar, Mohamad Hamdan Daglo, conhecido como "Himeidti".

Chefe de operações da Força de apoio rápido (paramilitar), "Himeidti" é uma figura polêmica, acusada de violações dos direitos humanos na região de Darfur (oeste). Alguns manifestantes afirmam, porém, que agora está "do lado do povo" e, por isso, exibem seu retrato nos protestos.

Embora o general Abdel Fatah al-Burhan, que lidera o Conselho militar desde sexta-feira, tenha prometido "eliminar as raízes" do regime de Bashir, na junta há vários pilares desse sistema.

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