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O presidente americano, Donald Trump, em Hagerstown, em 18 de agosto de 2017

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O presidente americano, Donald Trump, anunciou neste sábado que não irá à entrega dos prêmios artísticos mais prestigiosos de Washington, o último sinal de seu crescente isolamento após uma das semanas mais desastrosas de seu curto mandato.

Declarações indignadas de dirigentes de seu próprio Partido Republicano, a onda de deserções de seus conselheiros econômicos e críticas de grandes nomes da cultura: um mal-estar profundo persiste por causa das palavras ambíguas de Trump sobre a violência racista em Charlottesville, onde um simpatizante neonazista lançou o carro contra uma multidão, matando uma mulher.

Neste ambiente tenso, uma manifestação era celebrada neste sábado em Boston. Oficialmente a favor da liberdade de expressão, o protesto reunia militantes de extrema direita, enquanto milhares de manifestantes antirracismo marchavam rumo ao centro da cidade em um ponto próximo ao ponto de encontro dos conservadores.

As autoridades desta cidade universitária do nordeste dos Estados Unidos temem excessos e intensificaram as precauções: proibiram o porte de armas na área e disseram que não permitiriam que a marcha dos supremacistas brancos se estendesse para além do previsto.

A contramanifestação de grupos de esquerda já reunia milhares de pessoas no fim de semana, alguns exibindo cartazes onde se lia "Não há lugar para o ódio" e "Fora nazistas".

"O discurso dominante levou tudo isto a outro nível e é isso que nos preocupa", declarou nesta sexta-feira o chefe de Polícia de Boston, William Evans, a propósito do debate sobre a extrema direita e a violência racista, que cresce nos Estados Unidos desde os episódios em Charlottesville.

"Jamais vi tanta gente que busca o confronto", destacou durante coletiva de imprensa.

- Divisão -

É justamente "o discurso (da administração Trump) que alimenta a divisão" a que se referiu a coreógrafa Carmen de Lavallade para recusar o convite a uma recepção na Casa Branca, organizada para entregar, em 3 de dezembro, os prêmios artísticos mais prestigiosos de Washington, os do Kennedy Center para as Artes Cênicas.

Antes dela, o diretor Norman Lear já tinha advertido que tampouco iria. Escaldado pelas controvérsias, o cantor Lionel Richie, outro dos premiados, explicou esta semana que ainda não tomou uma decisão.

Diante das recusas já anunciadas, o casal Trump anunciou no sábado que não participará da festa para evitar "interferências políticas".

Mas diretores do Kennedy Center saudaram rapidamente esta decisão presidencial. "Ao decidir não participar das atividades este ano, a administração mostrou elegantemente seu respeito pelo Kennedy Center e permite assegurar que a cerimônia de entrega dos prêmios será um momento especial bem merecido para os agraciados".

- Base fiel -

Não é a primeira vez que Donald Trump decide desdenhar de uma grande tradição em Washington. Em abril, já tinha decidido evitar o jantar anual dos correspondentes, que reúne a nata da imprensa e da política americana.

Tratam-se de decisões que agradam à sua base, encantada com estes desplantes a um establishment criticado tantas vezes durante a campanha eleitoral. Seus seguidores mais incondicionais se mantêm orgulhosamente fiéis: seis em cada dez garantem que não vão mudar sua opinião favorável faça o que Donald Trump fizer, segundo consulta da Universidade de Monmouth (realizada de 10 a 14 de agosto com 805 entrevistados).

Longe de dar uma trégua a suas declarações e tuítes imprevisíveis que sacodem Washington desde que chegou à Casa Branca em 20 de janeiro, as "férias de trabalho" de Donald Trump em Nova Jersey e Nova York seguiram marcadas pela polêmica e pelos anúncios imprevistos.

Tentando virar a página depois de uma semana sacudida pelos episódios de Charlottesville, ele reuniu na sexta-feira sua equipe de segurança nacional em Camp David para abordar a estratégia americana no Afeganistão.

"Dia importante em Camp David com nossos generais e dirigentes militares muito talentosos. Muitas decisões foram tomadas, inclusive algumas sobre o Afeganistão", escreveu Donald Trump no Twitter na manhã deste sábado, sem detalhar quais foram.

O presidente também agradeceu em um breve tuíte a Steve Bannon, seu polêmico assessor estratégico, a quem demitiu na sexta-feira.

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AFP