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Captura de tela de vídeo da AFP em 3 de maio de 2017 durante debate em La Plaine-Saint-Denis mostra a candidata Marine Le Pen

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A líder do Frente Nacional francês, Marine Le Pen, será pela primeira vez deputada na Assembleia Nacional, após sua eleição neste domingo nas legislativas, em que a extrema direita confirmou seu lugar na cena política.

"Diante deste bloco que representa os interesses da oligarquia, somos a única força de resistência", disse Le Pen depois de anunciar que seu partido obteve pelo menos seis deputados, quatro a mais do que tem atualmente, nas eleições em que o partido do presidente Emmanuel Macron - A República em Marcha -, obteve uma confortável maioria absoluta.

Derrotada por Macron no segundo turno das eleições presidenciais de maio, essa advogada de formação, de 48 anos, venceu no seu reduto de Henin-Beaumont (norte), antigo bastião socialista atingido pela desindustrialização e pelo desemprego.

Nas eleições presidenciais, obteve mais de 60% dos votos na antiga cidade mineradora de 27.000 habitantes, com um programa anti-imigração e anti-União Europeia.

Nacionalmente, obteve um resultado histórico no segundo turno dessas eleições (33,9%), embora na semana passada seu partido tenha sofrido um revés no primeiro turno das legislativas, com somente 13,2% dos votos em nível nacional, um pequeno retrocesso em relação a 2012.

"Boa parte de nossos eleitores se absteve no primeiro turno, a metade não se mobilizou", estimou Le Pen, atribuindo isso ao voto majoritário, desfavorável aos pequenos partidos.

Seu partido pretendia obter pelo menos 15 deputados, o que lhe teria permitido constituir um grupo na Assembleia.

A candidata sucedeu em 2011 seu pai, Jean-Marie Le Pen, na liderança do partido. A ambiciosa herdeira deu à formação fundada em 1972 uma imagem menos xenófoba e antissemita.

Além disso, afastou os militantes mais radicais, como antissemitas, nostálgicos da Argélia francesa e católicos integristas. A estratégia funcionou, e a Frente Nacional começou a avançar nas eleições.

Para tentar conquistar a presidência, Le Pen, que se descreve como "uma mulher de caráter às vezes abrupto", se esforçou para suavizar sua própria imagem, contando piadas sobre sua vida pessoal, publicando fotos com seus gatos ou aparecendo com cartazes com o slogan "França apaziguada".

A caçula de três filhas de Le Pen, duas vezes divorciada, mãe de três filhos e atualmente casada com um dos membros partido, Louis Aliot, se voltou nesses últimos meses para o discurso econômico, com uma forte dose de protecionismo, e prometendo a saída da França da zona do euro para seduzir os "perdedores" da globalização.

Deputada no Parlamento Europeu desde 2004, fez campanha nas presidenciais contra a "globalização jihadista e econômica", apresentando-se como a "candidata do povo" e dos "patriotas" frente ao "candidato das finanças", Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia e ex-banqueiro.

Com a esperança de convencer um grande número de indecisos, endureceu seu discurso sobre a imigração e multiplicou seus ataques contra seu rival, mas sua agressividade pesou e ela começou a recuar nas pesquisas.

Em seus encontros públicos, seus partidários de todas as idades e grupos sociais gritam o slogan "Estamos em nossa casa!", um "grito de xenofobia" segundo seus adversários, e, para ela, um "grito de amor" à França.

Marine Le Pen é suspeita de ter beneficiado vários de seus colaboradores com empregos fantasmas no Parlamento Europeu e se negou a esclarecer esses fatos na Justiça, denunciando uma "conspiração política".

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