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Captura de tela de vídeo da AFP em 3 de maio de 2017 durante debate em La Plaine-Saint-Denis mostra a candidata Marine Le Pen

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"Mulher e mãe". A candidata da extrema-direita na eleição presidencial francesa Marine Le Pen aposta no voto das mulheres na campanha eleitoral, sem convencer as feministas.

Através de entrevistas a revistas femininas e mensagens intimistas, esta mulher de 48 anos que disputa o segundo turno no domingo contra o centrista Emmanuel Macron faz o seu melhor para conquistar as francesas, que representam mais de 52% do eleitorado.

"Eu sou mulher, sou mãe, sou francesa", proclama a autointitulada "candidata do povo".

Loura e sorridente, em imagens que a mostram folheando um álbum de fotografias de família, lembra que também é advogada. E acrescenta comentários sobre seus temas favoritos: "Insegurança", "sofrimento" e "opções de civilização".

Com o mesmo sorriso, aparece em um folheto destinado a "se fazer conhecer melhor". Nele, proclama: "Quero defender as mulheres francesas". Apresenta-se como "uma mulher com coração", uma política "em um mundo de homens" e fala de seus filhos e irmãs.

Há alguns anos, criticava os abortos realizados "por conveniência" e defendia excluir seu reembolso pelo seguro de saúde, mas hoje nem sequer menciona o assunto.

Durante muito tempo, votar na Frente Nacional (FN) era uma coisa de homens, mas isso mudou. De acordo com uma pesquisa da Ipsos realizada na véspera do primeiro turno, 24% dos franceses e 20% das francesas manifestaram a intenção de votar em Le Pen.

A diferença de quatro pontos que também existe no eleitorado do líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon (21%-17%), mas não em outros partidos.

Para Virginie Martin, especialista da FN, Marine Le Pen, uma mulher moderna que vive com um dos vice-presidentes do partido, divorciada duas vezes, mãe de três filhos e cercada de assessores políticos homossexuais, "acabou com o tabu para as mulheres de votar na FN".

Seu estilo contrasta com o do seu pai, Jean-Marie Le Pen, ex-presidente do partido, cuja "imagem patriarcal" atraía eleitores masculinos "em busca de um líder viril".

Contudo, este partido "continua sendo antirrepublicano e antifeminista. Não, Marine Le Pen não é a candidata das mulheres!", protesta uma das associações hostis a sua candidatura, junto ao Coletivo Nacional de Direitos da Mulher, Planejamento Familiar e Femen.

O programa da líder da extrema-direita francesa inclui uma proposta que promete "defender os direitos das mulheres". Preconiza "lutar contra o Islã que faz retroceder em suas liberdades fundamentais" e "um plano nacional para equiparação salarial, e combate à precariedade profissional e social".

Rebecca Amsellem, fundadora publicação feminista Gloriosas, denuncia um "pretexto" para "expressar ideias xenófobas" como Marine Le Pen o fez "após Colônia", cidade na Alemanha onde centenas de mulheres foram agredidas por imigrantes muçulmanos em 31 dezembro de 2015.

Eurodeputada desde 2004, Marine Le Pen só votou a favor de três leis da UE de um total de 59 sobre os direitos das mulheres. Votou contra 17 e absteve-se outras 7 vezes, ausentando-se em 32 oportunidades, de acordo com canal de televisão France2.

No entanto, garante ter se distanciado da linha mais "tradicionalista", mais católica, que permanece "em uma nebulosa por trás dela", diz Virginie Martin.

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