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Matteo Renzi, em Bruxelas, em 28 de abril de 2017

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Confirmando o favoritismo, o ex-presidente do Conselho italiano Matteo Renzi, foi reeleito com folga para liderar o Partido Democrata (PD, centro-esquerda), no poder na Itália, anunciaram os três candidatos em disputa, antes do fim da apuração.

Quase dois milhões de pessoas votaram nestas eleições internas abertas, segundo o PD - uma cifra que superou as expectativas do próprio Renzi, que contava obter um milhão de eleitores para o sucesso da votação.

Renzi havia se demitido como chefe de governo em dezembro, após perder um referendo constitucional que havia convocado e em fevereiro renunciou como líder do PD.

"É uma responsabilidade extraordinária, obrigado de coração a esta comunidade de mulheres e de homens que acreditam na Itália, adiante juntos", tuitou Renzi, enquanto seus dois adversários, Andrea Orlando e Michele Emiliano, o cumprimentaram pela vitória.

"Uma nova história começa", disse Renzi em seu discurso da vitória, assegurando que queria vingança após o revés do referendo constitucional, que o obrigou a se demitir da presidência do Conselho.

"Não é um segundo tempo do mesmo jogo, é um novo jogo", insistiu, antes de evocar o debate sobre a coalizão de governo, que analisa em caso de vitória nas próximas eleições legislativas, que serão celebradas no mais tardar no começo de 2018.

Os cerca de 10.000 colégios eleitorais, instalados em centros culturais, bares ou nas ruas, abriram às 08h locais (03h de Brasília) e fecharam às 20h (15h).

Renzi enfrentava dois candidatos considerados mais de esquerda do que ele: Andrea Orlando, atual ministro da Justiça, e Michele Emiliano, governador da região de Apulia, ao sul.

Em uma primeira fase interna da votação, o ex-chefe de governo havia obtido 66,7% dos votos contra 25,3% para Orlando e 8% para Emiliano.

"É um festival de democracia", disse Renzi à imprensa após votar. "Espero que os outros também o façam", afirmou em uma crítica velada, particularmente ao Movimento 5 Estrelas (M5S), com o qual o PD está empatado nas pesquisas e que organiza suas primárias pela internet.

Renzi, de 42 anos, demitiu-se em dezembro após perder um referendo constitucional chave em seu país.

Confrontado aos protestos da ala esquerda do seu partido, ele decidiu, em meados de fevereiro, renunciar à liderança da formação, mas deixando a porta aberta para voltar com mais legitimidade em uma nova votação.

A 'coroação' de Renzi

"Aconteça o que acontecer, um obrigado gigantesco", escreveu Renzi no Facebook, ao fim da votação em um longo texto no qual evocou os cinco meses "de leituras, de poesias, de reflexões e de tanta música" desde a sua renúncia à frente do governo.

Quando chegou à chefia do partido, em dezembro de 2013, Renzi obteve cerca de 68% dos votos de mais de 2,8 milhões de eleitores.

"Mais que uma competição, estamos diante de uma legitimação, uma espécie de coroação de Renzi como líder do PD. Podemos esperar que Renzi obtenha um grande êxito, mas com uma participação baixa. As pessoas de esquerda não parecem estar mobilizadas", explicou Lorenzo de Sio, professor de sociologia política da universidade LUISS de Roma.

Todos os italianos com mais de 16 anos estavam habilitados a votar, além dos cidadãos de países da União Europeia que vivem no país e também os estrangeiros com visto de residência, com a única condição de pagar uma contribuição de dois euros.

O vencedor da votação leve conduzir o PD às próximas eleições legislativas, previstas para a primavera de 2018, a não ser que os parlamentares decidam antes uma reforma eleitoral visando eleições antecipadas.

Renzi pretende que se celebrem no fim deste ano.

Para formar uma coalizão, Orlando e Emiliano miram nos partidos de esquerda, mas Renzi se disse disposto a formar uma aliança com a centro-direita de Silvio Berlusconi, se o sistema proporcional o exigir nas próximas legislativas.

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