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Local de impressão do jornal El Nacional, no dia 11 de abril de 2014

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Sergio narrava, como fazia todos os dias, as notícias esportivas quando agentes da Inteligência invadiram armados o estúdio da rádio em que trabalhava, um caso que a imprensa vincula a uma ofensiva contra a liberdade de expressão na Venezuela.

Emissoras de televisão e rádios tiradas do ar, jornais asfixiados pela falta de papel: 51 meios de comunicação pararam de operar em 2017 no país, segundo a ONG Espaço Público.

A lista inclui 46 rádios, três emissoras de televisão e dois jornais.

Para o secretário-geral do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, em espanhol), Marco Ruiz, isso reflete "uma política sistemática de encurralamento e asfixia de espaços para o exercício da liberdade de expressão, da crítica e da dissidência".

O Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) denuncia uma "escalada" de ataques.

"O operador estava pálido. Não sabíamos o que estava acontecendo", contou à AFP o coordenador de produção da emissora esportiva do circuito FM Center, Sergio Musella, sobre operações de busca e apreensão ocorridas no fim de agosto em Caracas.

Os agentes procuravam gravações de entrevistas da jornalista Caterina Valentino com manifestantes em outra das emissoras do grupo, durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixaram 125 mortos entre abril e julho.

As estações da FM Center continuaram funcionando, mas nem todos podem dizer o mesmo.

A Relatoria para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos fez "um chamado urgente" a restabelecer as transmissões das emissoras de televisão e rádios "retiradas do ar", medidas que qualificou como um castigo por "uma linha editorial crítica".

A violência também está presente: dezenas de repórteres foram agredidos durante as manifestações contra o governo, enquanto desconhecidos lançaram um explosivo contra o jornal Versión Final em Maracaibo, em 29 de agosto, destruindo quatro automóveis.

- "Rede popular" -

Maduro e funcionários de alto escalão se declaram vítimas de "uma campanha de desprestígio" em meios nacionais e estrangeiros e, inclusive, de "propaganda de guerra".

A estatal Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) destaca que na Venezuela operam 340 meios comunitários, "uma rede popular" que, assegura, "democratiza" o espectro radioelétrico.

A Conatel anunciou que 120 desses meios serão regularizados neste mês, um processo que não foi possível para os críticos do governo, adverte o SNTP.

Em 26 de agosto foram fechadas por ordem da Conatel duas emblemáticas rádios de Caracas, 92.9 FM e Mágica 91.1 FM, com quase 30 anos de história, por terem vencido as concessões.

Cerca de 200 radiodifusoras aguardam respostas a solicitações de concessão.

É o caso da Radio Fe y Alegría, cadeia de emissoras educativas vinculadas à Igreja Católica, que espera desde a década de 1970, muito antes da ascensão do chavismo ao poder, em 1999.

"Apesar de apresentar as arrecadações, houve um silêncio administrativo", disse à AFP o diretor da Radio Fe y Alegría, Carlos Alaña, em Caracas.

No entanto, as autoridades permitiram que a rede funcionasse, embora o temor de cortes repentinos esteja latente.

Na semana passada, uma de suas emissoras em Maracaibo encerrou temporariamente as suas transmissões por ordem de uma funcionária da Conatel, embora o governo não estivesse envolvido na medida.

Outras duas estações da Fe y Alegría suspenderam as operações este ano por problemas de concessão, em Margarita e San Cristóbal.

- Falta de papel -

A falta de papel é outro obstáculo para a imprensa. O Última Hora, com 40 anos de história, parou de circular em 30 de agosto por este motivo.

Segundo a Espaço Público, cerca de 10 jornais tiveram o mesmo destino desde 2013 na Venezuela, onde uma corporação do governo monopoliza a importação do papel jornal.

Também em agosto, as emissoras de televisão colombianas Caracol TV e RCN foram tiradas da grade de programação das operadoras a cabo por ordem da Conatel, como aconteceu em fevereiro com a CNN em Espanhol.

A Espaço Público contabiliza 148 meios de comunicação fechados desde que o governo do falecido presidente Hugo Chávez se negou a renovar a concessão da RCTV, emblemática emissora, que saiu do ar em maio de 2007.

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AFP