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O chef italiano Massimo Bottura, em Modena, no dia 7 de julho de 2016

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O italiano Massimo Bottura, considerado o melhor chef de cozinha do mundo, irá à guerra com um garfo. Mas sua luta é contra o desperdício de comida, e será travada no Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos que começam nesta sexta-feira.

Bottura quer servir cerca de 5.000 pratos a brasileiros em situação de "vulnerabilidade social", preparados com ingredientes doados por empresas de catering do Parque e da Vila Olímpica, que de outra maneira terminariam no lixo.

Na sua Osteria Francescana, na comuna de Módena, com três estrelas Michelin e eleito o melhor restaurante do mundo pela classificação dos "50 Best Restaurants", um jantar pode incluir pratos como "Enguia nadando no rio Pó" - enguia com polenta, geleia de maçã de Campânia, cebolas de saba (mosto de vinho reduzido) queimadas e sal de carvão. A conta pode chegar a 600 euros (2.185 reais) por pessoa.

Mas os 108 clientes do Refettorio Gastromotiva, que abrirá suas portas em 9 de agosto no bairro boêmio da Lapa e é financiado por várias empresas patrocinadoras, não terão que pagar nem um real pelo jantar.

Arte e design para todos

A cada noite, pessoas em situação vulnerável receberão convites de ONGs para jantar no novo restaurante, decorado pelo célebre artista brasileiro Vik Muniz e com móveis desenhados pelos irmãos Campana, reis do design brasileiro.

O Refettorio Gastromotiva é uma iniciativa de Bottura, do chef brasileiro David Hertz, fundador da ONG Gastromotiva, e da jornalista Alexandra Forbes. Sua meta é combater a desnutrição, o desperdício de alimentos e a exclusão social.

"Temos uma oportunidade através deste projeto, que é cultural, e não de caridade, de lutar contra o desperdício. Se mudamos a maneira de pensar, podemos fazer nascer uma nova tradição", disse Bottura a jornalistas no Rio.

"Prometi para a minha mãe que ia usar minha notoriedade para tornar visíveis os invisíveis. Chegou o momento de devolver ao mundo o que ele me deu", disse.

Durante os Jogos, vários chefs famosos ajudarão Bottura na cozinha, doando seu trabalho: os franceses Alain Ducasse e Claude Troisgros, o espanhol Andoni Aduriz e os brasileiros Alex Atala, Felipe Bronze, Roberta Sudbrack e Rafa Costa e Silva, entre outros.

A cada dia vai cozinhar um chef diferente, escolhendo o menu depois de inspecionar com atenção quais ingredientes chegaram. Não serão aceitas sobras de comida.

O terreno foi cedido gratuitamente pela prefeitura do Rio durante 10 anos. Depois dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o restaurante funcionará como uma escola de cozinha e estará aberto ao público na hora do almoço, com o conceito de refeição solidária - "pague o almoço e doe o jantar" a alguém que precise, disse à AFP uma porta-voz do projeto.

Chega de jogar tomates fora

"Devemos enfrentar o problema mundial do desperdício de comida", disse na quinta-feira no Rio Margaret Chan, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Mais da metade da comida produzida em países ricos é perdida (...) nos restaurantes, nos supermercados, em armazéns mal conservados. Às vezes nos supermercados se jogam fora os tomates porque não são vermelhos o suficiente", lamentou Chan na iniciativa "Nutrição para Crescer", realizada paralelamente aos Jogos Olímpicos para lutar contra a desnutrição e a obesidade.

Para o cocriador do refeitório coletivo David Hertz, "mais que alimentar, a meta é formar cidadãos". "Nunca tínhamos trabalhado com o tema dos desperdícios, e isso é um legado que vamos deixar", afirmou em coletiva de imprensa.

A semente do projeto foi o Refettorio Ambrosiano que Bottura criou no ano passado e que funcionou durante a Expo Milão 2015, com o mesmo objetivo.

Outros projetos similares estão em andamento e abrirão em 2017 em Los Angeles, Nova York e Montreal, segundo Bottura, também fundador do "Food for Soul" (comida para a alma), uma organização sem fins lucrativos que combate o desperdício e a exclusão social.

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AFP