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Membros de torcidas organizadas entram nos protestos violentos no Chile

Manifestantes incendeiam comércio durante protesto fora do estádio Monumental em Santiago, Chile, em 29 de janeiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. janeiro 2020 - 19:58
(AFP)

O Chile atravessa há mais de 100 dias uma grave crise social que ganhou mais intensidade nesta semana com a morte de três pessoas em um novo foco de violência desatado por distúrbios com torcedores do clube de futebol Colo Colo.

Com as cores dos diferentes clubes do país, foi compartilhada nas redes sociais a seguinte mensagem: "Perdemos muito tempo brigando entre nós. Protesto de todas torcidas organizadas", que convoca para uma manifestação nesta sexta-feira contra o governo de Sebastián Piñera na Praça Itália, no centro de Santiago, principal ponto de mobilização popular no Chile.

Membros de torcidas organizadas do Colo Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica foram para a Praça Itália com camisas e bandeiras de seus times para protestar pela morte de um torcedor nesta semana. Alguns entraram em confronto com a polícia nas ruas próximas, segundo um jornalista da AFP.

No norte do país, torcedores do Coquimbo Unido interromperam o jogo da equipe contra o Audax Italiano, pela segunda rodada do campeonato chileno, atacaram policiais e destruíram as câmeras da emissora que transmitia a partida.

A violência durante as manifestações havia diminuído de intensidade nas últimas semanas, mas na terça-feira à noite, os tumultos voltaram a se intensificar com a morte de um torcedor do clube Colo Colo, atropelado por um veículo da polícia em meio a confrontos após um jogo de futebol.

Nas últimas duas noites, foram registrados saques a supermercados e ônibus incendiados, além de três mortos, elevando a 31 o número de vítimas fatais desde o início das manifestações, segundo dados do Ministério Público chileno.

A morte mais recente ocorreu nesta sexta-feira durante um incêndio em um supermercado em Santiago.

O incidente ocorreu quando um grupo de vândalos saqueou e incendiou o supermercado no início da manhã na populosa comuna de San Ramón, no sul da capital.

- Crise de direitos humanos -

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apresentou nesta sexta um relatória em que diz que "está passando por uma grave crise de direitos humanos" mais de três meses após o início da mobilização social.

O documento – divulgado após uma semana de trabalho de uma equipe da CIDH- manifesta que durante as mobilizações ocorreram "vários casos de abusos, detenções e usos desproporcionais da força", por parte dos agentes de segurança do estado, devido a uma "falta de alinhamento aos padrões internacionais na gestão dos protestos".

A polícia chilena tem sido alvo de questionamentos por organismos humanitários pelo uso abusivo força para conter as manifestações no país e que deixou duras sequelas.

Entre os casos que mais repercutiram destaca-se o número de pessoas com lesões graves nos olhos, cerca de 400, por disparos de armas não letais e balas de borracha durante confrontos com manifestantes.

A CIDH pediu às autoridades chilenas que "adotem medidas imediatas para cessar os atos de abuso da força" e que sejam investigadas as denúncias de violações dos direitos humanos para punir os culpados.

O organismo dependente da Organização dos Estados Americanos (OEA), acrescentou que mais 4.000 agentes de segurança forma feridos nos distúrbios.

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