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(Arquivo) O ex-presidente argentino Carlos Menem durante seu julgamento em Buenos Aires, no dia 2 de março de 2015

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O ex-presidente argentino Carlos Menem, de 85 anos, continuará, por videoconferência, o julgamento por acobertamento na investigação do atentado a um centro judaico na Argentina, que causou 85 mortos em 1994, e no qual é um dos 13 acusados, informou nesta quarta-feira uma fonte judicial.

Na primeira audiência do julgamento sobre o desvio de provas que começou na semana passada, depois de 21 anos do pior atentado da história do país, Menem esteve ausente por problemas de saúde.

O advogado de Menem, Omar Daer, havia explicado que seu cliente sofre "um agravamento de sua hipertensão arterial, junto a um quadro de esclerose e artrose por sua idade avançada", que lhe impedem de comparecer às audiências e pediu que fosse autorizado que continuassem por videoconferência. O atestado médico apresentado era ilegível.

O Tribunal Oral Federal N2 autorizou o ex-chefe de Estado a seguir o julgamento por videoconferência no portal Infojus do ministério da Justiça.

O ex-secretário de Inteligência Hugo Anzorreguy, também acusado, esteve ausente na primeira audiência por estar hospitalizado, mas comparecerá na quinta-feira diante do tribunal.

Os 13 réus, entre eles um ex-juiz, dois ex-promotores e um ex-líder da comunidade judaica, são acusados de violação de meios de prova, falsidade ideológica, acobertamento, abuso de autoridade e peculato.

Menem é acusado de ser o mandante do juiz Juan José Galeano - também acusado e que julgou a causa até 2004 -, que abandonou a chamada "pista síria", envolvendo um cidadão desta origem, cuja família tinha vínculos com a do ex-presidente.

Segundo a promotoria, este cidadão, de nome Alberto Kanoore Edul, tinha vínculos nunca investigados com o iraniano Moshe Rabbani, ex-encarregado cultural na embaixada de Teerã em Buenos Aires, um dos acusados de ter organizado o atentado.

Este julgamento, que durará pelo menos um ano, só aborda o ocultamento de provas e o desvio da investigação, sem se ocupar com a autoria do atentado contra a Associação Mutual Israelense Argentina (AMIA), com 85 mortos e 300 feridos.

Os réus não são acusados do atentado em si, e sim de terem ocultado provas e obstruído as investigações.

Entre outros delitos, são acusados de violação dos meios de prova, falsidade ideológica, acobertamento, abuso de autoridade e peculato e, em alguns casos, coação de testemunhas, privação abusiva da liberdade e prevaricação (por resolver com base em provas adulteradas).

Este é o segundo julgamento relativo ao atentado contra a AMIA depois que, em 2004, outro julgamento foi anulado com a absolvição de todos os argentinos acusados de prover apoio logístico, ao ser descoberto o pagamento ilegal de 400.000 dólares do juiz a um acusado para envolver um grupo de policiais na causa.

A justiça argentina acusa ex-altos funcionários do Irã de terem organizado o atentado, algo que Teerã nega, portanto, não aceita extraditar os acusados para depor.

AFP