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(Arquivo) Foto tirada em 7 de abril de 2017 mostra homem caminhando perto de cartaz que mostra que bitcoin poderá ser usada como pagamento em loja de Tóquio

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"Investi todas as minhas economias em bitcoins", anuncia Mai Fujimoto, apelidada de "Miss Bitcoin" nas redes sociais. Como muitos japoneses, ela agora recorre à mais popular das criptomoedas, reconhecida como um meio de pagamento legal no país.

Em dezembro, cerca de 31% das transações mundiais de bitcoins foram feitas em ienes, menos que as em dólar (44%), mas mais que as em won sul-coreano (18%) e em euro (6%), segundo jpbitcoin.com, que compila dados do setor.

O número de investidores japoneses neste mercado aumentou desde a proibição no ano passado dos intercâmbios de criptomoedas na China.

O Japão fez o contrário. Uma lei que entrou em vigor no começo de 2017 reconheceu o bitcoin e outras moedas virtuais como meios de pagamento legais, apesar de ter reforçado as exigências de transparência e solidez financeira aos operadores do mercado local.

Essa regulamentação favorável incitou grupos digitais japoneses a se lançarem neste novo setor, enquanto milhares de comércios no país começaram a aceitar pagamentos em bitcoin.

"A participação de grandes empresas, o sentimento de segurança gerado pela luz verde do governo e a exposição midiática levaram gente completamente nova esse mercado" no Japão, garante Koji Higashi, de 29 anos, especialista do setor e investidor.

- Miss Bitcoin -

Mai Fujimoto, de 32 anos, é uma grande adepta, desde 2012. "Na época, estava tentando criar uma plataforma de doações online para a educação de crianças nos países em desenvolvimento. Me dei conta de como era caro enviar dinheiro ao exterior", conta à AFP.

"Quando soube que já não era necessário passar por bancos se usasse pagamentos em bitcoin fiquei realmente impressionada", acrescenta.

"Investi todas as minhas economias no bitcoin e em outras criptomoedas há um ano. Não tenho mais poupança no banco", afirma.

Nada indicava, contudo, tamanho sucesso do bitcoin entre os japoneses, conhecidos por sua prudência extrema, preferência pela poupança e pelos pagamentos em cartão.

As primeiras tentativas do bitcoin de entrar no Japão foram frustradas em 2014 com a impressionante quebra, em Tóquio, da plataforma de câmbios MtGox. Seu antigo diretor, o francês Mark Karpelès, está sendo julgado desde o ano passado em Tóquio por manipulação de dados e desvio de fundos, acusações negadas por ele.

- Quebra-cabeças fiscal -

"Muitos japoneses são muito conservadores diante de riscos, mas temos um negócio varejista no mercado de câmbios, e muitas pessoas negociam somas elevadas nele", garante Yuzo Kano, CEO da bitFlyer, hoje a principal plataforma do negócio do bitcoin no Japão.

Além disso, muitos especuladores japoneses recorrem às criptomoedas como o bitcoin, segundo um relatório recente dos analistas do Deutsche Bank.

As baixas taxas de juros no país - resultado de uma política monetária muito expansiva do banco central japonês - incita a buscar investimentos alternativos mais bem remunerados, opina Kano, um ex-funcionário da Goldman Sachs e BNP Paribas.

Essa opção não é racional e responde a um efeito de contágio, opina Koji Higashi. "Todo mundo faz isso, e ouvi que dá muito dinheiro, portanto eu também vou fazer", explica para resumir o estado de ânimo.

Mas o furor poderia ser apaziguado pelo fato de que qualquer lucro obtido nestes mercados será submetido a uma taxa tributária muito elevada, de 55%.

"Muitos investidores não sabem o montante que será alvo de tributação", afirma Hugashi, que prevê "muitos escândalos de evasão fiscal num futuro próximo".

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AFP