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Vista geral da cúpula do Mercosul, em Mendoza, em 20 de julho de 2017

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Os chanceleres do Mercosul se reúnem nesta quinta-feira, na cidade argentina de Mendoza, na véspera da cúpula do grupo, empenhados em expandir as associações comerciais com outros blocos, estimuladas pela política econômica mais aberta do Brasil e da Argentina.

O ministro anfitrião, o argentino Jorge Faurie, sublinhou a importância de uma frente unificada regional em termos comerciais.

"Sozinhos, não vamos a lugar algum, e os argentinos estão de prova disso", afirmou Faurie no encerramento de um seminário sobre a aproximação com a Aliança do Pacífico, outro importante bloco comercial da América Latina, formado por México, Chile, Colômbia e Peru.

Juntos, os dois grupos representam cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

Essa é a primeira reunião de chefes de Estado do Mercosul desde dezembro de 2015.

Um potencial acordo de livre-comércio com a União Europeia também está na pauta do encontro de Faurie com seus equivalentes do Brasil, Aloysio Nunes, do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, e do Paraguai, Eladio Loizaga.

Segundo Faurie, o Mercosul está bem próximo de acertar um acordo com os 28 países europeus. Ele destacou a necessidade de demonstrar um grande compromisso político para persuadir a UE.

Tanto os sul-americanos quanto os europeus querem aproveitar a iniciativa protecionista de países importantes, em particular Estados Unidos, para criar esse espaço de livre-comércio de 760 milhões de pessoas, que teve grandes obstáculos em 17 anos de negociações.

Para os latino-americanos, foi fundamental o encontro de dois mandatários abertos ao livre-comércio, Mauricio Macri e Michel Temer. Na reunião desta sexta, o argentino vai passar a presidência rotativa do bloco a Temer.

O objetivo do Mercosul e da UE é alcançar um acordo antes do fim do ano.

Cerca de 1.200 agentes da Polícia Federal e das forças de segurança serão enviados à cidade para a reunião, que também contará com os presidentes paraguaio Horacio Cartes e uruguaio Tabaré Vázquez, bem como a chilena Michelle Bachelet e o boliviano Evo Morales, representando os países sócios.

- Crise na Venezuela -

Ainda que não esteja na agenda oficial do encontro, a Venezuela, que vive uma crise política e econômica, vai estar na pauta do encontro de Mendoza.

"Nossa expectativa é que, do Mercosul, possamos fazer um apelo à Venezuela e às autoridades do país para recuperar a plena democracia, o respeito aos direitos humanos, dar fim às prisões arbitrárias, com os presos políticos, que é uma tragédia para a história da América Latina", opinou Faurie em entrevista à Radio Mitre.

"Estamos preocupadíssimos com a convocação da Assembleia Constituinte, que vai ser um fator de completa alteração e de divisão ainda mais profunda entre os setores da vida venezuelana", completou.

Em comunicado da chancelaria, a Venezuela qualificou a cúpula de Mendoza de "ilegal" e considerou "alarmante o permanente uso temerário do mecanismo de integração a serviço de uma política de perseguição ao governo e ao povo da Venezuela".

A Venezuela está suspensa de Mercosul desde dezembro devido ao descumprimento das obrigações comerciais que se comprometeu a assumir em 2012, quando entrou no bloco.

Temer indicou na última quarta que vai a Mendoza com o compromisso de manter a "monitoração atenta da situação da Venezuela".

A iniciativa se soma à forte pressão internacional sobre Maduro, inclusive com ameaça de sanções da parte dos Estados Unidos, após quase quatro meses de protestos opositores que deixaram 97 mortos.

AFP