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Merkel participa de entrevista coletiva na sede da CDU, em Berlim

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A chanceler alemã, Angela Merkel, que venceu as eleições legislativas deste domingo, mas saiu enfraquecida das urnas, prometeu nesta segunda-feira (25) formar uma maioria governamental estável e reconquistar os eleitores que votaram no partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

"Todos os partidos que, ao nosso ver, são compatíveis para formar uma coalizão têm a responsabilidade de permitir a formação de um governo estável", declarou Merkel.

No domingo, seu partido, o conservador União Cristã Democrata (CDU), obteve 33% dos votos, seu pior resultado desde 1949, de acordo com os números definitivos.

Após uma runião dos líderes da CDU, a chanceler anunciou que iniciará conversas com os liberais do FDP, os Verdes e os social-democratas do SPD.

Agora, para conseguir maioria no Bundestag resta apenas uma solução: uma aliança, inédita até agora em nível nacional, entre conservadores, liberais (10,7%) e Verdes (8,9%).

Chamada pela imprensa de Jamaica (pelas cores dos partidos, as mesmas da bandeira jamaicana), essa coalizão existe apenas no pequeno estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha.

O problema é que o FDP e os Verdes têm muitos pontos de divergência em questões como imigração, futuro do diesel, ou abandono das energias fósseis.

O líder dos liberais, Christian Lindner, já estabeleceu uma condição para entrar no governo: a rejeição às ideias de reforma da zona do euro promovidas pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Para ele, um orçamento comunitário comum constitui "uma linha vermelha", já que Berlim não deve pagar pelo déficit dos outros.

- Desgaste conservador -

As negociações podem durar meses. Até hoje, desde as primeiras eleições do pós-guerra, em 1949, o partido vencedor sempre conseguiu formar maioria, e Merkel já descartou a possibilidade de um governo minoritário.

Se não conseguir formar uma nova coalizão, o governo pode convocar novas eleições.

Essa quarta vitória consecutiva de Merkel, que está no poder desde 2005, teve um gosto amargo. Seus aliados da União Social-Cristã (CSU) da Baviera, que desejam uma guinada de Merkel à direita, já apresentaram os primeiros sinais de contestação.

As eleições evidenciaram que parte do eleitorado conservador — um milhão de pessoas, de acordo com as pesquisas - votou na AfD, um movimento de extrema-direita contrário ao Islã, ao euro e à política de Merkel de receber os imigrantes.

"Abandonamos nossa ala direita e agora temos que preencher este vazio com posições decididas", disse o líder da CSU, Horst Seehofer.

"Reina a consternação entre os conservadores, e a principal responsável foi apontada", escreve o jornal de centro-esquerda" Süddeutsche Zeitung".

Mas Merkel se recusou nesta segunda-feira fazer "mea culpa". Apesar de reconhecer que esperava melhores resultados, recordou que a CDU-CSU venceu as eleições com 12 pontos de diferença sobre o SPD.

A AfD obteve 12,6% dos votos após uma campanha particularmente agressiva, baseada no estilo do presidente americano, Donald Trump, e no dos partidários do Brexit na Grã-Bretanha.

A chanceler está convencida de que tomou "a boa decisão", ao abrir as fronteiras aos demandantes de asilo em 2015, apesar de admitir que criou "uma polarização em torno de sua pessoa".

"Vamos reconquistar os eleitores (que votaram no AfD), fazendo uma boa política, encontrando soluções para os problemas", prometeu.

- Divisões na direita populista -

A entrada da extrema-direita no Parlamento é um terremoto para um país, cuja identidade desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi construída com base no arrependimento pelo nazismo e na rejeição ao extremismo.

Dentro do AfD, porém, também existem divisões. Uma de suas líderes, Frauke Petry, há poucos meses uma das principais figuras do movimento, surpreendeu nesta segunda-feira ao anunciar que não vai integrar a bancada parlamentar do partido.

Petry criticou um dos líderes do partido, Alexander Gauland, que logo depois das eleições declarou aberta a "caça" a Merkel.

O Conselho Central dos Judeus considera que a entrada no Parlamento do partido — que deseja recuar no arrependimento ao nazismo — é o "maior desafio democrático desde 1949" para o país.

Mas os problemas de Merkel não terminam com a AfD. Formar um governo será uma tarefa complicada. Com seu pior resultado em muitos anos (20,5% dos votos), os social-democratas do SPD decidiram abandonar a coalizão que formavam com a chanceler e passar à oposição.

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AFP