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Refugiados rohingyas esperam por comida em Gumdhum, Bangladesh, em 26 de setembro de 2017

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Mianmar decidiu entreabrir na quinta-feira para organizações humanitárias as portas do estado de Rakhine, cenário de violência desde agosto, que provocou a fuga de 500.000 muçulmanos rohingyas para Bangladesh, informaram porta-vozes da ONU.

"Haverá uma viagem organizada pelo governo provavelmente amanhã (quinta-feira) para Rakhine. É um primeiro passo do qual participarão diretores de agências (da ONU). Mas esperamos principalmente que seja um primeiro passo para um acesso muito mais livre e amplo à zona", disse à imprensa o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.

As organizações humanitárias da ONU presentes em Rangun tiveram que deixar Rakhine no verão (no Hemisfério Norte), quando o Exército birmanês começou as operações militares contra os rebeldes rohingyas. Como consequência, mais de 410.000 membros da minoria muçulmana dos rohingyas fugiram para o vizinho Bangladesh.

Desde o fim de agosto a ONU reclama um acesso humanitário ao estado de Rakhine, mergulhado na violência desde que em 25 de agosto grupos rebeldes rohingyas atacaram diversas delegacias e desataram a repressão do Exército.

O gesto das autoridades birmanesas continua estando limitado a uma "viagem organizada" que permitiria aos responsáveis humanitários avaliar a situação. Segundo diversas fontes, o Exército birmanês incendiou aldeias e plantou minas ao longo da fronteira para impedir o retorno dos rohingyas.

Os rohingyas, a maior população apátrida do mundo, são tratados como estrangeiros em Mianmar, cuja população é mais de 90% budista.

A ONU, ativistas dos direitos humanos e alguns líderes do mundo qualificam a campanha militar birmanesa de "limpeza étnica".

Os militares, muito criticados por seu bloqueio à imprensa durante a campanha em torno da cidade de Maungdaw, oeste de Mianmar, organizaram uma visita de poucas horas para os meios de comunicação na cidade hindu de Ye Baw Kyaw, na zona de Kha Maung Seik.

As autoridades birmanesas continuam a busca por fossas comuns. Até agora foram encontrados 52 corpos, segundo o governo birmanês. O Exército assegura que são habitantes hindus abatidos pelos rebeldes rohingyas no fim de agosto.

O grupo ARSA (Exército de Salvação dos Rohingyas de Arakan) "desmentiu categoricamente" nesta quarta-feira essas acusações.

- Reunião da ONU -

A visita prevista para quinta-feira coincidirá com a reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York dedicada à situação em Mianmar.

Em 13 de setembro, o Conselho de Segurança pediu a Mianmar "medidas imediatas" para impedir uma "violência excessiva" no oeste do país contra os rohingyas, após uma reunião a portas fechadas sobre o êxodo dessa minoria e a violência exercida contra ela.

O Conselho de Segurança exortou "o governo birmanês a facilitar a ajuda humanitária no estado de Rakhine", uma demanda que não foi atendida até agora.

A reunião do organismo da ONU será pública e nela falará o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Há uma semana, quando seu país foi acusado de limpeza étnica, e inclusive de genocídio, durante a Assembleia Geral, tal como fez o presidente francês, Emmanuel Macron, a dirigente birmanesa e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, quebrou o silêncio e disse que estava pronta para organizar o retorno dos rohingyas.

Os cerca de 480.000 muçulmanos rohingyas que desde agosto foram para Bangladesh se somam aos cerca de 300.000 que já vivem lá, em campos de refugiados miseráveis e insalubres, após fugirem de Mianmar por causa de anteriores casos de violência.

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AFP