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Modelos apresentam criações de Ssheena, em Milão, em 25 de setembro de 2017

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Diga-me como te vestes, que te direi quem és: esse é o princípio da estilista holandesa Anouk Wipprecht, que apresentou em Milão sua "Moda Tech", baseada na tecnologia, em sensores eletrônicos e robôs para comunicar algo além da aparência.

Suas criações, que combinam tecnologia digital e alta-costura, jogam com as convenções sociais e impõem respostas às nossas emoções, muitas vezes de forma fria e direta, disse a estilista em entrevista à AFP em Milão, durante a Semana de Moda primavera-verão 2018.

Com apenas 32 anos, a estilista já mostrou suas criações, como o look de Fergie, ex-cantora da banda Black Eyed Peas, durante o show do intervalo no Super Bowl, ponto alto do campeonato de futebol americano.

Também criou figurinos em impressoras 3D para os atores e bailarinos do Cirque du Soleil, sempre na vanguarda.

Mas sua criação mais original é um pequeno objeto, elaborado em colaboração com o fabricante de cristais Swarovski, que se ilumina ao ritmo das batidas do coração.

Parece simples e quase poético, mas também é incrivelmente revelador sobre um indivíduo. Imagine usar esse pequeno cristal no momento em que se conhece aquela pessoa especial que conquista seu coração, ou durante uma entrevista de trabalho, em que são revelados dados importantes.

"Ocorre o mesmo quando você tem arrepios ou cora. Não pode controlar, nem esconder, literalmente demonstra as suas emoções", explica.

- Coração na manga -

"Se levar as batidas do seu coração na manga, não estará usando nenhum artifício, mas poderia se meter em situações muito estranhas, inclusive interessantes", reconhece a estilista.

Esse fascínio pela interação entre o comportamento humano e o mundo digital levou a estilista a viver experiências insólitas.

Uma das mais surpreendentes aconteceu com o "Spider Dress", o vestido-aranha.

A peça, impressa em 3D, tem um colar adornado com patas de aranha, que ganham vida segundo o ambiente em que a pessoa esteja.

Essas patas de deslocam ou "atacam", explica Wipprecht, quando alguém se aproxima muito de quem está vestindo o traje.

As reações são muito diferentes segundo o lugar onde se usa a peça com o colar.

"As pessoas na Holanda são muito rápidas, chegam muito perto, enquanto nos Estados Unidos ficam bem longe", conta.

"Por vezes tenho que obrigar a pessoa a se aproximar porque seguem o princípio de manter a distância e o respeito", diz.

A viagem pelo mundo da moda da estilista, que vive entre Nova York e o Vale do Silício, meca da tecnologia na Califórnia, começou muito cedo. Aos 14 anos se apaixonou pela moda, porque permitia se "expressar e comunicar" e rapidamente embarcou nos estudos de design.

A robótica chegou mais tarde. Ela está convencida de que um dia sua coleção de prêt-à-porter chegará às passarelas da moda, mas no momento quer mesmo é romper barreiras.

"Crio roupa para provocar, para experimentar", explica. "Além de tudo, se fosse só fazer vestidos que se iluminam sozinhos ou que simplesmente mudam de cor, seria genial (...) e chato", admite.

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AFP