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(Arquivo) Foto tirada em 11 de novembro de 2016 mostra pinguim-de-adélia na Estação McMurdo, na Antártica

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Milhares de filhotes de pinguins-de-adélia morreram de fome na Antártica devido à incomum expansão da banquisa (gelo marinho), que obrigou os pais a irem mais longe para buscar alimento, declarou nesta sexta-feira (13) um grupo de pesquisadores.

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS, sigla em francês), com o apoio do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), estudam desde 2010 uma colônia de 18.000 casais de pinguins-de-adélia do leste da Antártica, e descobriram que só dois filhotes tinha sobrevivido após a última temporada de reprodução (final de 2016 ao início de 2017).

A tragédia se explica pelos níveis incomuns da banquisa no final do verão. Os adultos se viram obrigados a ir mais longe para buscar alimentos para seus filhotes, que morreram de fome.

Segundo Yan Ropert-Coudert, pesquisador na estação de pesquisa Dumont de Urville, perto da colônia, a região sofreu as consequências das mudanças ambientais vinculadas à ruptura da geleira Mertz.

"As condições estão estabelecidas para que isso aconteça com mais frequência devido à quebra da geleira Mertz em 2010, que mudou a configuração do mar na frente da colônia", disse à AFP.

"Mas há outros fatores necessários para se ter um ano zero", acrescentou, citando os níveis das temperaturas, a direção e a força dos ventos e a ausência de polínias (espaços abertos de água rodeados de gelo) na frente da colônia.

Com uma dieta principalmente à base de krill - um pequeno crustáceo parecido com um camarão - os pinguins-de-adélia, nadadores eficientes, em geral prosperam na Antártica Oriental.

Mas eles estão diminuindo na região antártica em geral, afetada pelas mudanças climáticas. O derretimento dos bancos de gelo reduz seu habitat, enquanto os filhotes estão adaptados à neve mas não à chuva, e o aquecimento da água influencia na quantidade de presas.

Há quatro anos, a mesma colônia, que naquele momento contava com 20.196 casais, não teve nenhum filhote, um fenômeno provocado por níveis maiores de gelo marinho, combinado com um clima inusualmente quente e chuvas, seguidos de uma rápida queda de temperatura, que fez com que os pinguins ficassem encharcados e congelassem até a morte.

Os pesquisadores informaram da sua descoberta durante a reunião anual da Comissão para a Conservação da Fauna e da Flora Marinhas na Antártica, em Hobart, na ilha australiana da Tasmânia.

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AFP