Navigation

Militares peruanos acusados de estupro serão julgados por crime contra humanidade

Suboficiais reformados peruanos acusados estupra sistematicamente um grupo de mulheres entre 1985 e 1995, no dia 27 de março de 2019 em um tribunal em Lima afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. março 2019 - 00:24
(AFP)

Um tribunal peruano classificou como crime contra a humanidade o estupro de nove camponesas entre 1984 e 1995 na região andina de Huancavelica (sudeste) e decidiu que serão públicas as audiências contra os militares acusados de cometer o abuso sexual.

"Considerando delito de lesa humanidade, resolve-se declarar o julgamento em audiências públicas do processo penal por violação sexual dos acusados", disse nesta quarta-feira em Lima o juiz Edhín Campos, da Segunda Sala Penal Nacional.

O magistrado destacou que o tribunal "respeitou a autodeterminação das vítimas, que renunciaram à privacidade que a lei estabelece para processos que envolvem violência sexual".

Como medida de proteção para as vítimas foi decidido que durante a audiência elas serão citadas apenas por suas iniciais.

Os 14 militares -todos suboficiais da reserva do Exército- são acusados de agredir sexualmente repetidamente as nove mulheres das localidades de Manta e Vilca, em Huancavelica, uma das regiões mais pobres do Peru.

"Por conta das humilhações sexuais que padeceram, várias das vítimas ficaram grávidas", destacou no dia 13 março o Poder Judicial através de um comunicado.

O caso foi revelado em 2003 pela Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR), que recolheu 35 denúncias sobre estes fatos ocorridos entre 1984 e 1995, durante a época mais cruel dos combates entre a guerrilha do Sendero Luminoso e as forças militares.

"Esta decisão é histórica, porque os julgamentos por estupro no Peru são realizados em privado", disse à AFP Juan José Quispe, advogado de seis das vítimas.

"Não estamos falando de um estupro como um fato isolado, estamos falando de um estupro sistemático em bases militares", acrescentou.

O advogado destacou que há 35 anos estão esperando justiça para seus casos. "Agora teremos de esperar no máximo dois anos para que julgamento seja encerrado e que seja emitida a sentença para os responsáveis".

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.