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(22 jun) Maduro discursa em Caracas

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As autoridades da Venezuela prosseguiam nesta quinta-feira com a busca do piloto de um helicóptero acusado de comandar um ataque terrorista contra a sede do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em Caracas, em meio ao mistério e ceticismo de alguns venezuelanos.

Dois dias depois de o helicóptero lançar quatro granadas contra o TSJ, as forças de segurança inspecionaram a aeronave encontrada na quarta-feira na população costeira de Osma, perto de Caracas, mas não descobriram o paradeiro do piloto Oscar Pérez.

O Ministério do Interior emitiu uma ordem de captura internacional por meio da Interpol contra Pérez, policial e ator amador de 36 anos, acusado de estar relacionado com a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).

Embora o governo chavista vincule o ataque a seus adversários, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) se afastou do caso e continuou nesta quinta-feira com os protestos que deixam 79 mortos em quase três meses.

"Esta não é a forma de agir da coalizão porque a Unidade só exige uma mudança democrática de maneira pacífica", afirmou o deputado opositor Juan Guaidó, representando a MUD.

Debaixo de chuva, centenas de opositores marchavam pelo leste de Caracas com a intenção de chegar à sede do poder eleitoral em repúdio à eleição, em 30 de julho, da Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

- Ficção ou realidade -

Conduzidos pelo presidente do TSJ, Maikel Moreno, o chanceler Samuel Moncada e um grupo de diplomatas credenciados na Venezuela percorreram nesta quinta-feira as instalações da Corte para ver os locais do impacto das quatro granadas, uma das quais não explodiu.

Moreno disse que esperar que sejam "multiplicadores desta verdade": "na Venezuela houve um ataque terrorista e deve ser condenado", destacou

Na terça-feira, circularam vídeos e fotos nas redes sociais que mostravam o helicóptero sobrevoando edifícios de Caracas, além de fotos do helicóptero com uma faixa que dizia "350 Liberdade", uma referência ao artigo constitucional invocado pela oposição para uma desobediência civil ao governo de Maduro.

"Alguns dizem até ter sido inventado pelo governo, uma história, que nós fizemos de propósito para desviar a atenção da opinião pública. Continuam dizendo este tipo de barbaridade", afirmou Moncada, que acusou a oposição de se fazerem "de loucos".

Dirigentes opositores veem por trás deste incidente um aprofundamento das fissuras no governo.

"Este tema do helicóptero é um sinal claro do descontentamento que há no país. Na parte de dentro, na Polícia, na Guarda Nacional, em todas as instituições há divisão", assegurou o líder opositor Henrique Capriles, na marcha.

"Acredito que seja mentira. A versão é esquisita, é história do governo para culpar a oposição e dizer que o agridem. Para mim o governo pagou este homem e o escondeu", declarou sob anonimato à AFP uma empregada doméstica vizinha de Antímano, oeste de Caracas.

- Ação individual ou complô -

Outros acreditam que o governo encenou o ataque para desviar a atenção sobre os protestos e sentenças do TSJ emitidas na própria terça-feira, que enfraqueceram as competências da Procuradoria, ou justificar um eventual maior uso da força para conter os protestos.

A procuradora-geral, Luisa Ortega, apresentou recursos legais contra a Constituinte, condenando a repressão das manifestações e denunciado a ruptura da ordem constitucional no país.

O TSJ, que desconsiderou todos os recursos, fixou para 4 de julho uma audiência em que avaliará se autoriza o julgamento da procuradora, que também está proibida de sair do país e que teve os seus bens congelados.

"O incomum incidente do helicóptero [...] parece ter uma motivação individual no lugar de uma conspiração do governo ou uma tentativa coordenada com outros atores de segurança ou militares", opinou a consultora Eurasia Group.

Entretanto, destacou que os protestos "estão ficando mais violentos e colocam à prova a lealdade dos aparelhos de segurança".

Na noite de quarta-feira, policiais e militares derrubaram com tanques as grades de segurança de conjuntos residenciais em Caricuao e El Valle, em busca de supostos manifestantes violentos, denunciaram vizinhos.

O chefe da Força Armada, o general Vladimir Padrino López, declarou em reiteradas ocasiões a sua lealdade a Maduro, mas os analistas não descartam um descontentamento na tropa.

"Pedimos ao povo para manter a calma, mas permanecer alerta diante da piora", afirmou o chefe militar ao condenar o "ato terrorista".

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AFP