Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Foto cedida pelo Palácio Real Saudita em 23 de agosto de 2017 mostra o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman durante parada militar em Meca

(afp_tickers)

O príncipe Mohammed bin Salman, de 32 anos, que após uma ascensão meteórica se tornou o herdeiro do trono da Arábia Saudita em junho, propôs-se a reformar este reino ultraconservador enquanto mostra mão de ferro em um contexto de crise aberta com o vizinho Catar.

No sábado (4), poucas horas depois da criação de uma comissão anticorrupção presidida por ele, a Arábia assistiu à repentina detenção de 11 príncipes e dezenas de ministros atuais, ou antigos, além da destituição de poderosos responsáveis militares, em um expurgo sem precedentes.

Nos últimos meses, o príncipe Mohammed bin Salman lançou reformas que marcaram a maior transformação cultural e econômica da história moderna de um reino onde metade da população (31 milhões) tem menos de 25 anos.

Determinado a afrouxar o jugo dos meios religiosos sobre a sociedade, prometeu em outubro uma Arábia "moderada", que praticasse um Islã "tolerante e aberto".

Primeiros sinais concretos: as mulheres obtiveram em setembro o direito de dirigir - decisão histórica da qual se considera o inspirador -, logo abrirão as salas de cinema, e as sauditas puderam celebrar a festa nacional junto com os homens em um estádio, algo nunca visto.

Segundo os especialistas, essas mudanças não teriam sido possíveis sem a detenção em setembro de dezenas de religiosos e intelectuais, medida que foi percebida como uma demonstração de força do príncipe Mohammed para evidenciar seu poder e que foi denunciada pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

Nomeado vice-príncipe herdeiro em 29 de abril de 2015, o jovem príncipe impulsionou um vasto programa de reformas econômicas em seu país, primeiro exportador mundial de petróleo, mas muito dependente dessa commodity.

- 'Agressivo e ambicioso' -

Nascido em 31 de agosto de 1985, este homem trabalha 16 horas por dia e diz ter tido uma educação bastante rígida por parte da mãe.

Por ter desempenhado uma série de cargos econômicos e militares depois da ascensão de seu pai ao trono, em janeiro de 2015, conseguiu ser nomeado o segundo na ordem de sucessão.

Para surpresa de todos, em 21 de junho foi nomeado herdeiro do trono. Também acumula os cargos de vice-primeiro-ministro, ministro da Defesa, assessor especial do rei e, sobretudo, presidente do Conselho de Assuntos Econômicos e Desenvolvimento, órgão que supervisiona a principal companhia produtora de petróleo do mundo.

Como ministro da Defesa, supervisionou as operações militares lançadas no Iêmen por seu país, que desde março de 2015 lidera uma coalizão para combater os rebeldes xiitas huthis, acusados de manter vínculos com o Irã.

A crise com o Catar - país acusado por Riad de apoiar o "terrorismo" - é outro exemplo da nova política externa da Arábia Saudita desde a chegada de seu pai ao trono.

Formado em Direito pela King Saud University, Mohammed bin Salman tem dois filhos e duas filhas e não é partidário da poligamia em vigor na Arábia.

"Tem a reputação de ser agressivo e ambicioso", declarou Bruce Riedel, ex-oficial da CIA que dirige o Brookings Intelligence Project, em Washington.

Em 2009, tornou-se conselheiro especial do pai, então governador de Riad. Quando seu pai foi nomeado príncipe-herdeiro em 2013, ficou à frente de seu gabinete.

Em abril de 2014, Mohammed bin Salman assumiu o cargo de secretário de Estado e membro do governo, antes de sua nomeação como chefe do gabinete real, em 23 de janeiro de 2015, quando seu pai sucedeu ao rei Abdullah, falecido aos 90 anos.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP