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O candidato sul-coreano à presidência, Moon Jae-In (C), em Seul, em 9 de maio de 2017

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Moon Jae-In, veterano da luta pelos direitos humanos e favorável a uma aproximação com a Coreia do Norte, venceu nesta terça-feira com folga a eleição presidencial na Coreia do Sul.

Moon, grande favorito nas pesquisas e candidato do Partido Democrático, de centro-esquerda, obteve 40,2% dos votos, de acordo com a comissão nacional eleitoral.

O conservador Hong Joon-Pyo ficou muito atrás, com 23,3% dos votos, seguido pelo centrista Ahn Cheol-Soo (21,8%).

O resultado foi "uma grande vitória de um grande povo" que deseja criar "um país justo (...) onde as normas e o senso comum prevaleçam", disse Moon ao saudar seus simpatizantes na praça Gwanghwamun de Seul, onde uma multidão de pessoas se reuniu durante meses, à luz de velas, para exigir a renúncia de Park.

Após este escândalo de corrupção, Moon prometeu que será "o presidente de todos os sul-coreanos".

Na praça, uma trabalhadora independente, Koh Eun-Byul, de 28 anos, disse à AFP que se sentia "feliz porque agora há esperança de uma mudança significativa".

As eleições aconteceram em um clima político marcado pelo escândalo de corrupção que resultou no impeachment da presidente Park Geun-Hye e pela tensão com a Coreia do Norte.

Poucas horas antes do fim da votação, 63,7% dos eleitores já haviam comparecido às urnas, contra 59,3% há cinco anos no mesmo horário, um aumento significativo e aguardado após os grandes protestos em que milhões de pessoas exigiram a saída de Park.

No epicentro da crise está a relação da presidente destituída com Choi Soon-sil, sua grande amiga e que é chamada pela imprensa de "Rasputina" pelas acusações de que se aproveitou de suas relações para obter dezenas de milhões de dólares das grandes empresas sul-coreanas.

Este gigantesco escândalo de corrupção, que atingiu inclusive a Samsung, catalisou as frustrações da população a respeito das desigualdades, da economia e do desemprego.

A crise obrigou todos os candidatos a prometer reformas para uma integridade maior no país.

Moon Jae-In liderou as pesquisas eleitorais durante toda a campanha.

Grandes desafios

A vitória de Moon, de 64 anos, representa uma alternância à frente do país após 10 anos de reinado dos conservadores.

Sua eleição significa uma importante mudança de política em relação a Pyongyang e ao aliado e protetor Estados Unidos.

Enquanto os coreanos votavam, Park permanece na prisão, à espera do julgamento por corrupção e abuso de poder.

O escândalo afetou o herdeiro da Samsung e o presidente da Lotte, o quinto maior conglomerado empresarial da Coreia do Sul.

O novo presidente terá muito o que fazer para combater a desaceleração econômica, as desigualdades, a alta do desemprego, em especial entre os jovens, e a estagnação dos salários.

De acordo com um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) do ano passado, 10% dos sul-coreanos mais ricos têm 50% da renda de toda a população.

O próximo ocupante da "Casa Azul", a residência oficial da presidência, herdará ainda o espinhoso problema da ameaça da vizinha Coreia do Norte.

Poucas vezes a tensão foi tão grande na península coreana pelo temor de um teste nuclear do regime comunista de Pyongyang. Tampouco ajuda o caráter imprevisível do novo presidente americano, Donald Trump, que ameaçou resolver a questão pela força.

A Casa Branca parabenizou o novo mandatário.

"Esperamos trabalhar com o presidente eleito Moon para continuar fortalecendo a aliança entre Estados Unidos e a República da Coreia", disse o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, em comunicado.

Já a China está insatisfeita com a instalação de um escudo antimísseis americano na Coreia do Sul para contra-atacar a ameaça norte-coreana.

Rompendo com a linha dura em relação a Pyongyang defendida por Park, Moon proporá uma aproximação menos conflitiva com a Coreia do Norte e uma emancipação da tutela americana.

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