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Deslocado palestino em escola da ONU, em Gaza, em 21 de julho de 2014. Quase 180.000 habitantes do território palestino estão nesses abrigos.

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Logo depois de receber a advertência do exército israelense, dezenas de famílias se somaram em pânico à massa de palestinos que encontraram refúgio em uma escola da ONU em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza.

"O exército nos disse: é preciso abandonar o setor agora. Os que não fizerem isso colocarão sua vida em risco", relata Ghasan Ahed, que fugiu na noite anterior de sua casa de Beit Lahiya, uma cidade regularmente bombardeada ao norte de Gaza, não muito longe da fronteira com Israel.

O exército telefonou e enviou mensagens aos celulares dos habitantes de Beit Lahiya, aos de Beit Hanun, cidade próxima, e aos de Zeitun, um bairro do sul da Cidade de Gaza, antes de submeter o setor a bombardeios maciços.

"As mensagens nos diziam para irmos à Cidade de Gaza. Mas não é tão fácil. Não temos familiares ali, não temos para onde ir", comenta um policial de 46 anos, pai de seis filhos.

Quase 180.000 habitantes do território palestino, submetido a um bloqueio israelense desde 2006, fugiram de suas casas e vivem agora com precariedade em 83 escolas administradas pela Agência Nacional para a Ajuda aos Refugiados palestinos (UNRWA).

O lixo se amontoa nas paredes do recinto. Mulheres tentam como podem limpar as salas de aula onde os colchões sujos são empilhados.

A falta de espaço obriga outras famílias a se instalar nos corredores ou nos pátios, onde o calor é sufocante. Ali, mulheres tentam proteger seus filhos do sol sob tendas improvisadas com cobertores. Um homem dorme em um pedaço de papelão no chão.

Falta de água e alimentos

"É como se toda Beit Lahiya estivesse aqui. Não há mais salas livres. As pessoas precisam se instalar nos pátios", declarou Samer Kilani, morador de Beit Hanun.

"Não está limpo, não é saudável", lamenta Ghassan Ahed. "As crianças ficam doentes por falta de água potável suficiente. Como não há muita água, a maioria das pessoas não toma banho há dias".

"Queremos comer, mas não há nada fresco", afirma Muna Abu Amcha. Há duas semanas 20 familiares seus estão na escola, depois de fugir de Beit Hanun.

Os combates sem interrupção tornam especialmente difícil a distribuição de alimentos, explica Chris Gunnes, porta-voz da UNRWA.

As crianças se assustam quando ouvem explosões perto, que lembram que as escolas da ONU não estão a salvo.

Várias foram atingidas pelos combates. No dia 24 de julho, um morteiro israelense caiu no pátio de uma delas em Beit Hanun e uma quinzena de palestinos morreram. O exército israelense afirmou, no entanto, que não foi seu morteiro que os matou.

Israel responsabiliza o Hamas pelas mortes da população civil. Acusa o movimento islamita de utilizar os civis como escudos humanos ao esconder suas armas e seus centros operacionais nas igrejas, mesquitas ou escolas.

AFP