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Morales confia nos militares, chamados pela oposição a intervir na Bolívia

Protesto contra a reeleição do presidente da Bolívia, Evo Morales, em 2 de novembro de 2019, em Santa Cruz afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. novembro 2019 - 19:43
(AFP)

O governo da Bolívia divulgou nesta segunda-feira (4) ter "absoluta confiança" nas Forças Armadas, dois dias após um líder opositor convocar os militares a intervir na crise política causada pela questionada releição do presidente Evo Morales.

"Confiamos absolutamente nas Forças Armadas. Aquele que bater às portas das Forças Armadas está em busca de sangue", disse o ministro do Interior, Carlos Romero, ao canal de televisão privado Gigavisión.

O líder do poderoso Comitê Cívico de Santa Cruz (direita), Luis Fernando Camacho, lançou no sábado um ultimato para Morales renunciar antes das 19H00 (20H00 de Brasília) e pediu aos militares para ficarem ao "lado do povo" nesta crise.

As Forças Armadas permanecem às margens deste conflito político, que entra na terceira semana de protestos contra Morales, cujo helicóptero sofreu nesta segunda "uma falha mecânica do rotor de cauda" ao decolar em uma cidade andina, mas fez um "pouso de emergência" sem consequências para seus passageiros, informou a Força Aérea Boliviana (FAB).

O presidente tinha inaugurado uma estrada ligando as cidades andinas de Caracollo a Colquiri, ao sul de La Paz, quando começou a chover forte na região.

- Maduro defende Morales -

Não foram registrados novos bloqueios nas vias de La Paz nesta segunda, enquanto a cidade de Santa Cruz, a mais rica da Bolívia e reduto da oposição, permaneceu totalmente em greve pela renúncia de Morales, reeleito para um quarto mandato nas disputadas eleições de 20 de outubro.

Romero disse no domingo que a oposição estava preparando "uma ação violenta e de confronto" contra a sede da Presidência nesta segunda, no horário do prazo final para a renúncia estipulado pelo Comitê de Santa Cruz.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, saiu em defesa de Morales, ao afirmar que resistiu a vários ultimatos para tirá-lo do poder e previu que seu aliado boliviano será bem-sucedido.

"Disse para Evo: este ano recebi 10 ultimatos. Maduro, em 24 horas, você vai ou te derrubamos. Então, venham me derrubar, digo eu", declarou Maduro no Encontro Anti-imperialista, em Havana.

- Bloqueios em ruas e pontes -

Várias ruas e pontes amanheceram bloqueadas nesta segunda na região sul de La Paz, onde vivem as famílias de classe média-alta e alta, enquanto as aulas nas escolas estavam praticamente paralisadas na cidade.

No centro da capital, não foi registrado nada fora do normal, mas os acessos à sede do governo continuavam bloqueados pela Polícia, com o tráfego de veículos suspenso nas ruas próximas.

Desde o início dos protestos, no dia seguinte à eleição presidencial, foram registradas duas mortes e cerca de 140 pessoas ficaram feridas, segundo a Defensoria do Povo.

A oposição afirma que o presidente foi reeleito com "fraude", por isso exige novas eleições. O sistema de contagem rápida ficou paralisado por 20 horas e, quando retomado, produziu uma mudança drástica e inexplicável de tendência, segundo observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"A melhor solução para esta crise, nas circunstâncias atuais, é uma nova eleição", liderada por um novo corpo eleitoral imparcial e com observação internacional, declarou no domingo o candidato derrotado Carlos Mesa, que foi presidiu a Bolívia entre 2003 e 2005.

O clima de protestos também afeta o futebol do país, pois cinco rodadas do campeonato nacional foram suspensas, totalizando 35 partidas adiadas.

- Não à auditoria da OEA -

Morales denuncia desde a semana passada que a oposição está tentando derrubá-lo através de um "golpe de estado", motivo pelo qual pediu aos seus simpatizantes que "defendam a democracia e os resultados eleitorais" de 20 de outubro (data do 1º turno da eleição).

Enquanto isso, uma missão da OEA desenvolve uma auditoria do pleito, depois de sofrer um revés na sexta-feira com a inesperada renúncia de seu chefe, o mexicano Arturo Espinosa, que admitiu ter publicado artigos críticos sobre Morales.

A oposição boliviana desaprova o plano de auditoria da OEA, pois afirma que se trata de "uma manobra de distração para manter Morales no poder".

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