Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

(Arquivos) Sra. Marisa Letícia, esposa do ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, dia 2 de outubro de 2016

(afp_tickers)

Ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por mais de 40 anos, Marisa Letícia Rocco faleceu nesta quinta-feira (2) em São Paulo dias depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico.

Marisa, de 66 anos, deixa Lula viúvo no momento mais sombrio de sua vida política.

A ex-primeira-dama foi declarada em estado de morte cerebral, e a família autorizou a doação de seus órgãos, informou o Hospital Sírio Libanês, onde ela foi internada em 24 de janeiro.

Após uma noite de boatos sobre uma piora do seu estado de saúde, os médicos identificaram uma ausência de fluxo cerebral, detalhou o centro médico em um boletim.

"Ante esse resultado, com autorização da família, foram iniciados os procedimentos para a doação de órgãos", acrescentou o hospital.

Pouco depois, a conta oficial no Facebook do ex-presidente Lula (2003-2010) publicou uma mensagem de agradecimento e trocou sua foto de perfil por uma imagem do casal sorridente e abraçado.

"A família Lula da Silva agradece por todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses últimos 10 dias pela recuperação da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia Lula da Silva. A família autorizou os procedimentos preparativos para a doação dos órgãos", diz a nota na rede social.

Em Brasília, os deputados reunidos na Câmara fizeram um minuto de silêncio.

Os jornalistas aguardavam informações na entrada do hospital, assim como vários membros do Partido dos Trabalhadores (PT).

"Creio que a companheira Marisa fará muitíssima falta. Mas ele [Lula] é uma pessoa com uma força extraordinária e sempre terá na lembrança de Marisa uma força especial", afirmou o ex-senador e cofundador do PT Eduardo Suplicy do lado de fora do hospital.

- Solidariedade de rivais e aliados

Acompanhado de uma comitiva de ministros e congressistas, o presidente Michel Temer foi ao hospital agora à noite para manifestar suas condolências. Temer foi recebido aos gritos de "golpista" por um grupo de manifestantes.

Uma das visitas mais comoventes foi a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que deu um caloroso abraço em Lula.

Em uma mensagem nas redes sociais, a ex-presidente Dilma Rousseff, sucessora e afilhada política de Lula, definiu Marisa como "uma mulher de fibra, batalhadora, que conquistou espaço e teve importante papel político".

Dilma, que foi destituída em 2016 pelo Congresso, também fez referência ao último ano de turbulências judiciais de Lula, que enfrenta cinco acusações ligadas às investigações de corrupção na Petrobras.

"Nos últimos meses, ela e o presidente Lula foram vítimas de perseguições e experimentaram na pele grandes injustiças. Imagino que a dor de Lula agora é insuportável", escreveu Dilma, concluindo: "Estamos juntos, presidente Lula, agora e sempre".

Além do PT, que destacou o papel de Marisa Letícia no começo do partido, vários movimentos sindicais, artistas e deputados enviaram condolências ao ex-presidente.

Mensagens de apoio também chegaram de fora do Brasil - a maioria de líderes da esquerda latino-americana, como o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; o equatoriano Rafael Correa; ou o boliviano Evo Morales, que deram seus pêsames pelas redes sociais.

Jovens e viúvos

Marisa Letícia e Lula se casaram em 1974, ambos viúvos de seus primeiros casamentos. Juntos, tiveram três filhos.

O casal se conheceu quando Lula era líder do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo. Ela estava grávida de quatro meses e havia perdido o marido, um motorista de táxi, durante uma tentativa de assalto.

Desde então, a neta de imigrantes italianos, que cresceu nesta cidade, berço do sindicalismo brasileiro, tornou-se o sustentáculo na sombra do esmagador carisma de seu marido.

Lula adotou seu filho, Marcos, e Marisa, que começou a trabalhar ainda criança e passou anos em uma fábrica de chocolate, acompanhou-o na luta contra a ditadura (1964-1985), nas greves das décadas de 1970 e 1980 e na fundação do PT em 1980.

Sua grande apresentação à nação aconteceu em 1º de janeiro de 2003, quando apareceu radiante, vestida de vermelho e com os característicos cabelos loiros e ondulados na posse de Lula.

Oito anos depois, o casal deixava Brasília com uma popularidade recorde.

Tempestade

Tudo começou a desmoronar em 4 de março de 2016. Ao amanhecer daquela sexta-feira, agentes da Polícia Federal entraram na casa do casal e levaram Lula em condução coercitiva para depor sobre seu suposto envolvimento na gigantesca rede de corrupção na Petrobras.

Apontado pelo Ministério Público Federal como um dos principais agentes do esquema, Lula é alvo de várias denúncias.

Em uma delas, relacionada à propriedade de um tríplex no Guarujá (litoral de São Paulo), o nome de Marisa é citado.

Segundo o MP, a propriedade teria sido doada a Lula pela construtora OAS, em troca de serviços para obter contratos com a Petrobras.

Lula sempre negou as acusações e denuncia uma perseguição judicial para impedi-lo de se apresentar à eleição presidencial de 2018.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP