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Policiais observam manifestantes que protestam depois da morte de um jovem negro desarmado por um policial branco, em 13 de agosto de 2014, em Ferguson, no estado americano do Missouri.

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A pequena cidade de Ferguson, no Missouri (centro dos Estados Unidos), viveu sua quinta noite de protestos pela morte de um jovem negro desarmado provocada por um policial branco no sábado passado, revivendo o polêmico debate sobre o racismo nos Estados Unidos.

Segundo a rede CNN e outros veículos de comunicação locais, a polícia entrou em ação contra os manifestantes na quarta-feira à noite perto de um posto de combustíveis onde estavam reunidos, no subúrbio desta cidade nos arredores de Saint Louis, capital do Estado.

As imagens mostraram os manifestantes em meio a nuvens de gás lacrimogêneo.

"Não somos cachorros! Para que eles carregam esses cassetetes?", gritou um manifestante aos policiais, segundo o jornal St. Louis Post-Dispatch.

Um grande esquema de segurança tinha sido montado e os policiais, visivelmente tensos, estavam fortemente equipados.

A foto de um francoatirador com uniforme militar mirando com seu fuzil de um veículo blindado para o protesto circulou pelas redes sociais.

Muitos veteranos de guerra do Iraque e do Afeganistão disseram estar surpresos ao ver os policiais com melhores equipamentos do que eles em áreas de conflito.

A polícia ainda deteve dois jornalistas -um deles correspondente do The Washington Post- que foram liberados logo depois.

As detenções ocorreram porque algumas pessoas teriam se recusado a obedecer a ordem policial de deixar rapidamente uma loja da rede McDonald's nas proximidades da manifestação.

As tensões e os distúrbios se intensificaram no domingo depois de uma cerimônia em memória de Michael Brown, de 18 anos, morto pela polícia no último sábado em circunstâncias não esclarecidas.

As versões divergem. Segundo uma testemunha, Michael Brown, que havia ido visitar sua avó e não estava armado, caminhava pela rua quando um policial atirou apesar de a vítima ter parado com as mãos para o alto, conforme havia exigido o oficial.

Segundo a polícia de St. Louis, Brown foi morto depois de agredir o policial, tentando roubar sua arma.

- Obama informado sobre a situação -

O chefe da polícia da cidade, Tom Jackson, afirmou que o policial responsável pelos disparos sofreu ferimentos no rosto, sem dar mais detalhes.

Por motivos de segurança, a polícia, que foi ameaçada, não divulgou o nome do autor dos disparos. Segundo a imprensa, ele está na polícia há seis anos e nunca teve problemas.

Desde o dia da morte de Michael Brown, a comunidade afro-americana se mobilizou e as manifestações tomaram as ruas da cidade, em que 14.000 de seus 20.000 habitantes são negros e que conta com uma polícia predominantemente branca.

Nesta quinta-feira, o presidente Barack Obama pediu calma e cautela à polícia depois da violência em Ferguson.

Obama afirmou que a polícia tem "a responsabilidade de ser transparente" sobre o que realmente aconteceu no sábado à noite e advertiu para o "uso excessivo da força contra manifestações pacíficas". Obama ressaltou, por outro lado, que "não há justificativa" para recorrer à violência contra os policiais.

Na terça-feira, o presidente já havia pedido calma e diálogo depois da morte do jovem, lembrando que o FBI tinha iniciado uma investigação federal paralela à da polícia.

A morte de Michael Brown é "novamente a morte absurda de um negro", disse o advogado da família, Benjamin Crump.

Crump se referiu a outro caso, ocorrido em 2012 no estado da Flórida, onde o vigilante voluntário George Zimmerman matou o adolescente negro Trayvon Martin com um tiro. Em uma controversa decisão, um juri absolveu Zimmerman, mencionando uma polêmica lei da Flórida e alegando legítima defesa.

AFP