As autoridades de saúde chinesas registraram 139 novas mortes na província de Hubei neste sábado (noite de sexta-feira no Brasil) por causa da epidemia COVID-19, e o número total de mortes já ultrapassou 1.500, num dia em que foi diagnosticado o primeiro caso em um país africano.

O Ministério da Saúde do Egito anunciou o primeiro caso no continente africano. A pessoa contaminada, conhecida apenas por não ter nacionalidade egípcia, foi hospitalizada em quarentena.

De acordo com a Comissão Provincial de Saúde de Hubei, epicentro da epidemia, com os 139 falecimentos registrados nas últimas 24 horas, no número de vítimas fatais na China chega a 1.519.

Cerca de 66.000 pessoas já foram contaminadas no território chinês, com a maioria dos diagnósticos concentrados na província de Hubei, cuja capital Wuhan foi onde o novo coronavírus foi detectado pela primeira vez em dezembro passado, em um mercado de frutos do mar que também comercializava carnes de animais exóticos.

Devido ao grande número de pacientes nos hospitais de Hubei e à escassez de suprimentos de proteção (máscaras, trajes completos), vários profissionais da saúde foram contaminados.

Segundo dados oficiais, pelo menos 1.716 profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros, estão contaminados e seis deles morreram.

O anúncio do número de diagnósticos positivos entre os membros das equipes de saúde ocorre uma semana após o falecimento, devido ao vírus, de um médico que tentou alertar as autoridades, mas que foi repreendido pela polícia. Sua morte provocou revolta nas redes sociais.

- Grande teste para a China -

A luta contra o vírus constitui "um grande teste para o sistema e a capacidade de governança do país", reconheceu o presidente Xi Jinping na sexta-feira. A epidemia revelou "lacunas e inadequações", admitiu Xi, que pediu a melhoria do sistema nacional de saúde.

As autoridades têm se esforçado para distribuir equipamentos de proteção nos hospitais de Wuhan, mas muitos médicos tratam pacientes sem máscaras apropriadas ou roupas de proteção ou usam o mesmo equipamento várias vezes, quando deveriam trocá-lo regularmente.

A China continental concentra 99,9% das mortes pelo novo coronavírus registradas no mundo. Até agora, apenas o Japão, as Filipinas e Hong Kong relataram uma morte cada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também se manifestou em defesa da China na sexta-feira, após críticas dos Estados Unidos à alegada "falta de transparência" de Pequim.

"Temos um governo que coopera conosco, que convida especialistas internacionais, que compartilharam sequências [do vírus], que continuam a trabalhar com o mundo exterior, que publicou em revistas médicas internacionais confiáveis", disse o chefe do departamento de emergência sanitárias da OMS, Michael Ryan, descartando críticas americanas.

Os Estados Unidos mudaram o tom na Casa Branca após parabéns do presidente Donald Trump ao seu colega chinês.

"Estamos um pouco decepcionados com a falta de transparência dos chineses", disse um dia antes de Larry Kudlow, consultor econômico da Casa Branca.

- Novos critérios -

As críticas dos Estados Unidos vieram após a decisão da China de adotar novos critérios para a contagem de pessoas contaminadas, o que desencadeou o número de pessoas infectadas.

Agora, os especialistas chineses consideram o "diagnóstico clínico" contaminado por radiografias de pulmão, sem esperar pelos resultados do laboratório.

Com a mudança na metodologia de contagem, especialistas chineses acrescentaram 15.000 pacientes às listas de infectados na quinta-feira. Nesta sexta-feira, eles adicionaram outros 5.000.

Esses números mostram uma situação mais séria do que a relatada até agora, mas "não representa uma mudança significativa na trajetória da epidemia", disse Michael Ryan.

O governo chinês manteve Hubei, com seus quase 56 milhões de habitantes, em quarentena por quase um mês.

Mas o intenso descontentamento da população pela situação motivou na quinta-feira a demissão dos principais líderes do Partido Comunista (PCC) de Hubei e Wuhan.

- Quarentenas -

Em outras partes do mundo, a epidemia COVID-19 mantém as autoridades em alerta, com mais de 500 casos confirmados em cerca de trinta países.

Nos Estados Unidos, as pessoas que estão doentes com sintomas de gripe, mas com resultado negativo para esta doença, serão testadas para o novo coronavírus, anunciaram na sexta-feira os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americanos.

O principal foco de infecção fora da China é o navio de cruzeiro de luxo "Diamond Princess", que continua em quarentena na costa do Japão, no porto de Yokohama, com 218 casos confirmados.

Um primeiro grupo de passageiros não infectados, com 80 anos ou mais, deixou o cruzeiro na sexta-feira e concluirá seu período de isolamento em estabelecimentos governamentais em terra.

Por sua vez, as centenas de passageiros de um navio de cruzeiro americano, que foi proibido de atracar em cinco portos asiáticos por medo do vírus, puderam desembarcar sexta-feira no Camboja.

Na França, um primeiro grupo de repatriados da China saiu nesta sexta-feira do centro perto de Marselha (sul), onde eles estavam em quarentena.

bur-jug-ewx-ehl/lb/mar/bc/af/ahg/lca

Palavras-chave

Neuer Inhalt

Horizontal Line


Teaser Instagram

Siga-nos no Instagram

Siga-nos no Instagram

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.