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Mortes por covid disparam em um Paraguai com poucas vacinas

Trabalhadores constroem caixões em San Lorenzo, Paraguai afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. junho 2021 - 12:40
(AFP)

O Paraguai relaxou os controles sanitários que manteve com sucesso na longa quarentena de 2020, e os casos de covid-19 dispararam de forma alarmante neste primeiro semestre de mortalidade muito alta, que também registra a escassez de vacinas, disseram especialistas à AFP.

"Tínhamos a previsão de aproximadamente 7.000 mortes para julho. Estamos na primeira quinzena de junho e já ultrapassamos as 11.000. Os números são muito preocupantes", afirmou Arturo Ojeda, diretor executivo da Cruz Vermelha.

"As pessoas não cumpriram com as medidas sanitárias estabelecidas e o governo também baixou a guarda nos controles", acrescentou.

Com 7,3 milhões de habitantes, o Paraguai superou os 400.000 contágios e as 11.000 mortes desde que registrou o primeiro caso de covid-19 em março de 2020. Nas duas últimas semanas, foi o país com a maior mortalidade do mundo, com uma taxa de 24,79 mortes a cada 100.000 habitantes, segundo uma contagem da AFP com base em estatísticas oficiais.

Os hospitais estão lotados e falta oxigênio e alguns medicamentos.

Segundo Ojeda, a quarentena rígida de março a setembro de 2020 "funcionou", mas depois "as pessoas relaxaram, se cansaram do isolamento".

O epidemiologista Tomás Mateo Balmelli afirmou que "em janeiro, estima-se que cerca de 35.000 paraguaios foram ao Brasil nas férias e muitos deles pegaram as diferentes variações do vírus", mais contagiosas.

- Poucas vacinas -

Para Balmelli, o governo se equivocou ao "confiar cegamente" na compra de vacinas pelo sistema Covax da Organização Mundial da Saúde. Diante do atraso nas entregas, o Paraguai usou doações de países da América, Europa e Ásia.

"A imunização continua lenta pela falta de vacinas. O governo deve usar todo o estoque que tem até que acabe, e não desacelerar a vacinação", considerou Balmelli.

Até agora, o Paraguai recebeu cerca de 450.000 doses da vacina AstraZeneca, 250.000 da Sinopharm, 20.000 da Coronavac, 200.000 Covaxin, 100.000 da Moderna e 40.000 da Sputnik-V.

"É uma vacinação a conta-gotas. Se continuarmos neste ritmo, em três anos vamos alcançar o 75% necessário para frear o surto pandêmico", resumiu o epidemiologista, em tom crítico.

Até o momento, segundo os números oficiais, 6,7% da população recebeu a primeira dose e somente 1,2% as duas que garantem a imunização completa. A meta é chegar a 30% em dezembro e a 75% dos habitantes em 2023.

"Ninguém pode dizer 'já estou vacinado' se só recebeu a primeira dose", alertou Balmelli.

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