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O ex-chefe de governo italiano Silvio Berlusconi, em Ischia, no dia 14 de outubro de 2017

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As residências ilegais da praia de Bagheria têm uma vista impressionante, mas são o símbolo da corrupção, o tema central das eleições regionais de domingo na Sicília, um ensaio geral das legislativas previstas para 2018.

O Movimento Cinco Estrelas (M5E), a formação antissistema liderada pelo comediante Bepe Grillo, e a direita do ex-chefe de governo Silvio Berlusconi, lideram as pesquisas eleitorais.

Mais atrás está o Partido Democrático (PD) de centro-esquerda, atualmente no poder, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi.

Os chamados "grillinhos" do M5E surgem como possíveis vencedores na Sicília, um passo-chave para chegar ao poder no ano que vem nas eleições gerais, com o qual desintegrariam o tradicional sistema político italiano.

Para isso jogaram a carta da honestidade e da integridade contra os partidos tradicionais, todos envolvidos em casos de corrupção em uma região que goza de forte autonomia econômica, ficando com 70% do que arrecada e recebendo fundos para o seu desenvolvimento.

A estratégia do movimento em toda a Itália os premiou, conseguindo entrar pela primeira vez no Parlamento em 2013.

O jovem Patrizio Cinque, prefeito do movimento em Bagheria, encara assim o seu mandato em uma cidade onde se concentram todos os problemas da Sicília pela presença da máfia em setores como a construção de casas ilegais e a gestão de resíduos.

A Polícia deteve esta semana 16 pessoas, incluindo um chefe da máfia local, por ordenar a execução da própria filha, culpada por manter uma relação com um policial.

- Sistema corrupto -

O verdadeiro desafio nessas eleições é determinar se a máfia continua controlando as eleições na Sicília, como no passado, e como o movimento antissistema irá encarar esse grave fenômeno.

A Cosa Nostra, que está muito arraigada na sociedade por sua presença na Economia e nas instituições, representa um desafio muito difícil de enfrentar.

"Acredito que a máfia nunca tenha estado tão presente na política como hoje em dia", explicou à AFP Ambrogio Cartosio, procurador da Sicília e por anos juiz antimáfia.

Como no passado, as listas eleitorais sicilianas de todos os partidos apresentam muitos candidatos "inapresentáveis", o que confirma o profundo vínculo da máfia com a sociedade.

Nello Musumeci, candidato pelo partido de Berlusconi, Força Itália, luta nessas eleições para se distanciar de alguns de seus companheiros de disputa, incluindo um, acusado de pelo menos 22 crimes.

O próprio Silvio Berlusconi é investigado por suas conexões com os atentados ordenados pela máfia siciliana em toda a Itália em 1993 e por supostos acordos secretos com a poderosa organização criminosa.

O candidato a governador da Sicília pelo M5E, Giancarlo Cancellari, está jogando a carta da honestidade e chegou a pedir observadores internacionais nas eleições depois que a comissão parlamentar antimáfia reconheceu que não podia garantir a transparência das listas eleitorais.

O perigo de fraude nas eleições é real: quase dois milhões de italianos receberam propostas de dinheiro ou favores em troca de voto ao menos uma vez na vida, segundo revelou em outubro a agência nacional de estatísticas, Istat.

Lutar contra as atividades nas quais opera a história organização criminosa continua sendo arriscado.

O prefeito de Bagheria, que prometeu demolir algumas das 8.000 construções ilegais em sua cidade, é investigado por abuso de poder e malversação, o que ele nega.

Patrizio Cinque, de 32 anos, está convencido de que a abertura de uma investigação judicial contra ele tem como objetivo manchar sua reputação e a do M5E pouco antes das eleições.

Na Sicília, como no resto da Itália, o movimento de Grillo está convencido de que os italianos estão decididos a lhes dar uma oportunidade, seguros de que a revolução hoje em dia é ser honesto em meio a um sistema corrupto.

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AFP