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Mães de meninas de Chibok rezam por sua libertação no quarto aniversário de sequestro pelos islamitas do Boko Haram, em 14 de abril de 2018

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Quatro anos depois de seu sequestro pelo Boko Haram, o destino de cerca de 100 adolescentes da escola de ensino médio de Chibok continua incerto na Nigéria, onde, segundo algumas fontes, acredita-se que dezenas delas tenham morrido em cativeiro.

Os pais das reféns e milhares de pessoas se reuniram no sábado nesta pequena localidade do nordeste da Nigéria pelo quarto aniversário do sequestro, que provocou a indignação do mundo inteiro em 2014.

A polêmica começou pouco depois das orações por sua libertação, quando um jornalista nigeriano que esteve envolvido nas negociações com o grupo extremista afirmou que algumas das 112 mulheres ainda sequestradas pelo Boko Haram estavam vivas.

Em uma longa mensagem no Twitter, Ahmad Salkida escreveu que "somente 15" haviam sobrevivido: "Muitas meninas estão mortas, presas entre o fogo cruzado e os bombardeios das forças de segurança que, sem dúvida, tentavam resgatá-las".

As autoridades nigerianas não confirmaram nem desmentiram, indicando somente que não dispunham dessa informação.

"Os feitos conhecidos por nossos responsáveis e dos contatos internacionais que apoiam este processo são que as meninas de Chibok restantes ainda estão lá", disse à imprensa a porta-voz da presidência, Garba Shehu. "Não desistimos de conseguir sua libertação", acrescentou.

- 'Prova de vida' -

Um total de 276 meninas foram sequestradas em 14 de abril de 2014 em seu internato de Chibok, 57 das quais conseguiram fugir pouco depois.

Desde então, 107 meninas foram encontradas, libertadas, ou fugiram depois das negociações do governo com o Boko Haram. Não é a primeira vez que circulam boatos sobre sua suposta morte.

Em agosto de 2016, o Boko Haram divulgou um vídeo mostrando cerca de 50 prisioneiras. Um homem armado e usando uma máscara declarou que "várias delas estão mortas como resultado de um bombardeio aéreo".

"Após a libertação de 82 meninas (em maio de 2017) falei com algumas delas, que confirmaram que várias haviam sido assassinadas por ataques militares contra o campo onde era mantidas", explicou à AFP Ayuba Alamson Chibok, um líder da comunidade de Chibok.

Segundo as sobreviventes, "11 de suas companheiras morreram e muitas outras ficaram feridas durante este ataque aéreo", disse.

Não há "nenhuma forma" de saber se outras foram assassinadas durante operações similares de contrainsurgência no nordeste do país, lamentou Alamson Chibok, pedindo ao Boko Haram que divulgue uma "prova de vida" das reféns.

"O governo deveria agir rápido. Quanto mais tarde resolver o problema, mais o futuro dessas meninas será destruído", acrescentou.

- 'Escudos humanos' -

O Exército nigeriano controla estritamente os movimentos e o acesso à informação no nordeste do país, onde a insurreição do Boko Haram provocou ao menos 20 mil mortos e mais de 2,6 milhões de deslocados desde 2009.

Contactadas pela AFP, duas fontes de segurança nigerianas envolvidas nas operações militares na região consideram que muitas meninas podem ter sido assassinadas.

É "indiscutível (...) que algumas delas tenham morrido em ataques aéreos contra posições do Boko Haram em ao menos três ocasiões" entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2019, afirmou uma fonte de segurança sob anonimato.

"O Boko Haram tem utilizado as meninas e outros reféns como escudos humanos", declarou a mesma fonte.

De acordo com a segunda fonte, estudantes vivas estão atualmente casadas com chefes de alto escalão do grupo extremista, o que complica as negociações para sua libertação.

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AFP