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Opositores venezuelanos marcham junto às mulheres contra o presidente Nicolás Maduro, em Caracas, em 6 de maio de 2017

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As mulheres foram às ruas na Venezuela, neste sábado (6), em uma marcha para exigir o fim do que chamam de "repressão selvagem" do governo chavista aos opositores e para pedir o fim da violência.

Vestidas de branco, com flores e cartazes que denunciam a "repressão" no país, centenas de manifestantes lideradas por deputadas e por outras líderes da oposição tentaram chegar à sede do Ministério do Interior e da Justiça, no centro de Caracas.

Elas rejeitam a atuação das forças de segurança, as quais, com frequência, dispersam os protestos contra o governo com gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água.

No caminho, um cordão militar reforçado por policiais impediu o avanço da marcha, mas a vice-ministra venezuelana, Rosaura Navas, do Ministério do Interior e da Justiça, aproximou-se da barreira militar e ouviu as exigências das parlamentares.

"A única solução para esse conflito é que permitam que os venezuelanos votem (...) Queremos que se comprometam a pôr fim à repressão", disse a congressista Marialbert Barrios a Navas.

A vice-ministra ouviu as deputadas por alguns minutos, recebeu os cartazes que condenam a "repressão" e saiu.

Várias mulheres mostraram os seios em sinal de protesto.

"Não temos escopetas, nossas armas são as tetas!", gritavam, em coro, para os militares.

Depois que a vice-ministra se retirou, as opositoras também começaram a esvaziar o local. Não há registro de incidentes.

"Não vamos deixar as ruas até conseguir a liberdade da Venezuela. Pedimos aos militares: não atirem contra o povo desarmado", manifestou a dirigente María Corina Machado.

"Nas Forças Armadas e na Polícia, muitos se perguntavam se hoje atiram em suas mulheres, filhas e mães. Espero que nos deixem chegar ao Ministério. Se não nos reprimirem, a mensagem é muito poderosa. Acho que o governo subestimou essa mobilização", disse a deputada Gaby Arellano à AFP.

"Que a última morte seja a da ditadura", dizia um dos cartazes levados na passeata, que contou com a presença de Lilian Tintori, mulher do opositor detido Leopoldo López.

Manifestações similares foram convocadas em outras cidades. Em San Cristóbal (oeste), milhares atenderam à convocação. Em Aragua (norte), a polícia dispersou a marcha com gás lacrimogêneo.

"A ditadura vive seus dias finais, e Maduro sabe. Por essa razão, vemos esses níveis de repressão sem precedentes. Então, hoje é a vez de as mulheres avançarem", declarou à AFP a ex-parlamentar María Corina Machado.

Os protestos contra o presidente Nicolás Maduro, exigindo eleições gerais como solução para a crise política e econômica no país, deixaram 36 mortos e centenas de feridos e detidos, de acordo com a Procuradoria.

No domingo, músicos e artistas vão às ruas no leste de Caracas, em homenagem aos mortos.

- 'Justiça para terroristas'

Enquanto isso, milhares de mulheres simpatizantes do governo marcharam até a Defensoria do Povo, no centro da capital. A oposição teve o acesso bloqueado e não conseguiu chegar até esse local.

Lá, foi entregue um documento de rejeição, ao que denunciam como a "violência terrorista" da oposição.

"Viemos pedir que se faça justiça contra aqueles que estão estimulando o ódio e a raiva (...) Querem criar as condições para uma guerra civil", alegou a ministra da Mulher, Blanca Eekhout, ao sair da Defensoria.

"Com a Constituinte, promovemos a paz", disse Eekhout.

"Estamos defendendo Nicolás e a Revolução", disse à imprensa Zulei Romero, em meio a uma multidão vestida de vermelho, a cor do chavismo.

Como costuma acontecer quando a oposição tenta chegar ao coração da cidade, neste sábado, várias estações de metrô foram fechadas e havia forte concentração de militares e policiais em vias estratégicas.

Maduro descarta convocar eleições gerais. Em vez disso, entregou na quarta-feira passada (3) um decreto de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para reformar a Constituição.

"Queremos uma Constituição, mas com justiça para esses terroristas", acrescentou Romero.

Metade dos 500 membros da assembleia seria eleita por setores - que a oposição diz que são controlados pelo governo - e metade pelo voto municipal.

De acordo com o líder da oposição Henrique Capriles, o que Maduro pretende com sua Constituinte é apenas evitar as eleições.

A Constituinte "acaba por não ser uma eleição democrática, universal, direta e secreta", declarou Capriles à AFP.

"Não vamos participar, não vamos aprovar um processo fraudulento", afirmou Capriles, na marcha das mulheres.

A Conferência Episcopal Venezuelana rejeitou a Constituinte em um documento divulgado neste sábado por considerar que "é perigosa para a democracia venezuelana".

Os bispos garantiram que o papa Francisco lhes expressa em uma carta sua preocupação com a crise e pede "que sejam respeitados os direitos humanos e se busquem soluções negociadas".

Maduro argumenta, por sua vez, que a Constituinte "conciliará" o país e reduzirá o que ele chama de "ofensiva da direita opositora". Segundo o presidente, a oposição pretende derrubá-lo e favorecer uma intervenção dos Estados Unidos para se apropriar das maiores reservas de petróleo do mundo.

- Pressão internacional

Embaixadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) disseram à AFP em Washington que os planos para uma reunião de chanceleres estão sendo mantidos para discutir a crise na Venezuela, apesar da decisão de Maduro de deixar o bloco.

O presidente do Parlamento venezuelano, Julio Borges, reuniu-se na quinta-feira (4) com o secretário-geral dessa organização, Luis Almagro, e com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, para explicar a "grave situação que existe na Venezuela pela ruptura da ordem constitucional e da violação dos direitos humanos".

"Show de Almagro e Borges pretende apenas abonar o caminho em seu plano de intervenção da Venezuela", reagiu a chanceler do país caribenho, Delcy Rodríguez, no Twitter.

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) garantiu que, em carta, o papa Francisco manifestou sua preocupação com os "mortos, feridos e detidos" nos protestos e pediu que se busque "soluções negociadas".

"Dirijo um urgente apelo ao governo e (...) à sociedade venezuelana para que se evite qualquer forma de violência, sejam respeitados os direitos humanos e se busquem soluções negociadas para a grave crise", afirma o papa, de acordo com a nota divulgada pela Igreja neste sábado.

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AFP