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Máquinas de construção trabalham na cerca fronteiriça entre México e EUA na altura de Dunes, Califórnia, em 15 de fevereiro de 2017

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O muro que o presidente americano, Donald Trump, quer construir na fronteira com o México ocupou o centro das discussões orçamentárias nesta terça-feira. A oposição se nega a liberar os recursos para a polêmica obra.

O Congresso americano precisa aprovar o orçamento federal antes de sexta-feira. Caso isso não aconteça, o governo fica legalmente impedido de funcionar por não dispor de um orçamento para financiar suas operações.

No ano passado, quando Barack Obama ainda era presidente, os legisladores concordaram em prorrogar o prazo limite para a aprovação do orçamento até 28 de abril, em vez de 30 de setembro, para permitir que o novo governo defina suas prioridades.

Entretanto, o governo de Trump, empenhado em cumprir uma promessa de sua campanha eleitoral, deve incluir em seu projeto de orçamento de construção do muro, uma obra descomunal cujo custo final pode superar os 15 bilhões de dólares.

Em seu primeiro projeto, a Casa Branca separou uma quantia de 1,4 bilhão de dólares para iniciar o processo de construção do muro.

No entanto, o partido Democrata decidiu que bloqueará a aprovação do orçamento caso ele inclua o projeto do muro.

Este bloqueio pode levar ao temido "shutdown", uma espécie de paralisação do governo federal por falta de orçamento.

Isso aconteceu em 2013, quando centenas de milhares de funcionários públicos tiveram que ficar em casa porque seus locais de trabalho estavam fechados. Naquela ocasião foi o partido Republicano (agora no poder) que bloqueou a aprovação de um orçamento federal.

Com o cronômetro já disparado em contagem regressiva, a disputa no Congresso se tornou frenética.

- Pressão do governo -

Os líderes do partido Democrata nas duas casas do Congresso chegaram a elogiar, na segunda-feira, uma suposta decisão de Trump de retirar da mesa de negociação a inclusão do muro no orçamento.

"É bom para o país que o presidente Trump tenha retrocedido", disse o senador Chuck Schumer, em uma declaração apoiada pela líder democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

O próprio Trump, contudo, desmentiu sua mudança de posição em uma mensagem no Twitter: "Não deixem que a mídia que divulga informações falsas diga que eu mudei de posição sobre o muro".

De fato, os dois partidos conduziram negociações relativamente calmas sobre o orçamento, até que, em uma expressão de Pelosi, Trump "atravancou" a discussão.

Com a proximidade de seus primeiros 100 dias no governo, Trump passou a exigir de seus aliados no Congresso a autorização de recursos para o muro a fim de mostrar a realização de uma promessa de campanha.

Nesta terça-feira, o chanceler mexicano, Luis Videgaray, disse que o muro não será parte de uma negociação bilateral, advertindo que seu país não contribuirá para pagá-lo "em nenhum cenário".

"Nós mexicanos não devemos ser parte dessa discussão, não vamos colaborar de forma alguma com a construção de algo que nos ofende", declarou o ministro em um discurso à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados mexicana.

- "Compreenderão as prioridades" -

No Senado, a aprovação do orçamento requer maioria qualificada, de modo que para obter aval o projeto necessariamente precisará de alguns votos democratas.

Diante da possibilidade de fracasso das negociações e de "shutdown", a Casa Branca optou por um discurso de otimismo.

"Estamos certos de que (os legisladores) compreenderão as prioridades do presidente e de que será alcançado um acordo antes da meia-noite de sexta-feira", disse na segunda-feira o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

No entanto, até mesmo dentro do partido republicano se reconhece o risco de bloqueio, chegando a um "shutdown".

Quando um partido controla o Poder Executivo e as duas casas do Congresso, como acontece agora com o partido Republicano, se torna inviável responsabilizar a oposição pela paralisia federal.

"Não podemos, absolutamente, jogar com a ideia de uma paralisia", alertou o senador republicano Dan Sullivan.

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