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Judeus e leitões mamam em uma porca, enquanto um rabino levanta a pata e o rabo do animal para examinar seu ânus

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Uma escultura antissemita da igreja de Wittenberg, onde Lutero fez suas pregações, cria controvérsia na comunidade protestante da Alemanha, que celebra nesta terça-feira o 500º aniversário da Reforma Protestante.

A chamada "Judensau" ("porca dos judeus") adorna desde a Idade Média, a oito metros de altura, a ala sul da Igreja de Santa Maria de Wittenberg.

Judeus e leitões mamam em uma porca, enquanto um rabino levanta a pata e o rabo do animal para examinar seu ânus.

Esta estátua, grotescamente metafórica e que pretendia provocar aversão aos judeus, perturba Wittenberg.

Foi nesta cidade a menos de 100 km de Berlim que o monge Martinho Lutero pregou suas 95 teses contra as indulgências da Igreja Católica em 31 de outubro de 1517, marcando o nascimento da Reforma Protestante.

Ele repetiu o gesto em outra igreja da cidade, a Schlosskirche, onde aconteceram nesta terça as cerimônias do 500º aniversário na presença de Angela Merkel.

Mas foi na Igreja de Santa Maria que o teólogo alemão (1483-1546) pregou pela primeira vez em alemão. O edifício é classificado como Patrimônio Mundial da Humanidade.

O constrangimento é ainda maior, já que o antissemitismo de Martinho Lutero foi abundantemente documentado por historiadores. Ele exortou, na época, queimar sinagogas e redigiu a difamação "Judeus e suas mentiras".

Descrevendo a escultura que adornava sua igreja, o teólogo julgou que no ânus da porca estava certamente o Deus dos judeus.

Dezenas de edifícios religiosos, principalmente na Alemanha, apresentam uma "porca dos judeus" em baixo-relevo ou em gárgulas como na catedral de Colônia ou na igreja colegiada de São Martinho de Colmar, na França.

- Face sombria -

Por ocasião do 500º aniversário, Angela Merkel, ela mesma filha de um pastor, lembrou o lado sombrio de Lutero. É necessário, ela insistiu, ter um olhar "muito crítico" sobre o antissemitismo do pai do protestantismo.

Há meses, petições circularam para remover a escultura caluniosa ou para que ela seja acompanhada de um monumento explicativo colocando-a em seu contexto histórico.

Desde a era comunista na Alemanha Oriental, já existe uma placa no pé do prédio, mas os críticos consideram insuficiente.

"Não seria justo historicamente remover o baixo-relevo", diz à AFP Micha Brumlik, professor de educação, que liderou um movimento contra a "porca dos judeus".

"Mas, por respeito ao que aconteceu com os judeus mais tarde, devemos ampliar o monumento existente e tornar as explicações mais claras", defende.

Na praça central de Wittenberg, Brumlick veio a público ler os escritos antissemitas de Lutero.

"É uma estátua horrível, obscena e antissemita", lamenta o teólogo britânico Richard Harvey, que se define como judeu messiânico, em um vídeo postado no Youtube.

Ele afirma ter reunido cerca de 8 mil assinaturas para retirar a obra.

- Manifestações silenciosas -

Na cidade, várias manifestações foram realizadas na praça do mercado. Nos cartazes dos participantes: "Depois de Auschwitz, devemos manter a 'porca dos judeus'?"

À frente do movimento, um pastor de Leipzig, Thomas Piehler, que deseja que a escultura seja levada para um museu.

Porque, então, "poderemos refletir cientificamente sobre o antissemitismo de Lutero e assim dar a oportunidade às seguintes gerações (...) de se distanciarem", explicou na rádio pública.

Mas a prefeitura acredita que a placa explicativa instalada em 1988 é suficiente.

Em junho, o conselho da cidade aprovou uma resolução pedindo a manutenção do baixo-relevo como testemunha de tempos difíceis. "Estamos convencidos de que a história é sobre não esquecer o lado negro, mas sobre enfrentá-lo", disse o pastor da igreja, Johannes Block, à televisão pública ZDF.

Mas o desconforto permanece principalmente porque o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AFD), que se juntou ao debate, também quer manter o status quo.

Para ele, aqueles "que hoje têm um problema com os judeus são, de fato pessoas, de origem árabe-muçulmana".

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AFP