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(5 jul) Destruição na Cidade Antiga de Mosul

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De pé, em frente a sua casa na zona oeste de Mossul, Manaf Yunès observa um operário limpando os escombros da varanda parcialmente destruída. Na segunda maior cidade do Iraque, a reconstrução começa a passos lentos, após meses de combates.

"Nós não temos dinheiro. Já faz três anos que não recebo salário. Precisei me endividar para começar a reforma", lamenta o ex-funcionário público de 57 anos.

Em 10 de julho, as autoridades anunciaram sua vitória contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), após nove meses de combates que desfiguraram a metrópole do norte do país e devastaram sua infraestrutura.

Segundo avaliações preliminares, será necessário mais de um bilhão de dólares para reabilitar os serviços básicos em Mossul, especialmente o fornecimento de água corrente, eletricidade, escolas e hospitais, de acordo com a representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Iraque, Lise Grande.

E é na zona oeste de Mossul que a devastação foi maior. Em todos os cantos da região, edifícios parcial ou completamente destruídos. Nas ruas invadidas pelos escombros, as crateras revelam tubulações retorcidas.

- Reabilitar -

Mais de 90% das infraestruturas e dos serviços públicos foram destruídos, enquanto mais de 70% das propriedades privadas sofreram danos, aponta o diretor do município, Abdel Sattar Habbo.

De acordo com ele, que estima em vários bilhões de dólares o custo da destruição, serão necessários de 3 a 4 meses para "estabilizar" os bairros da zona oeste, ou seja, restabelecer, ainda que parcialmente, a água corrente, eletricidade e serviços públicos.

"Nos bairros mais afetados, precisaremos de 470 milhões de dólares para ajudar a reabilitar as redes de eletricidade, de água e de esgoto, bem como as instalações públicas, incluindo hospitais e escolas", indicou Grande em um e-mail à AFP.

Apenas na Cidade Antiga, onde os extremistas se entrincheiraram nas horas finais da batalha e onde a luta foi acirrada, "quase um terço das casas foi severamente danificado, ou completamente destruído", indicou o programa da ONU para a Habitação em um relatório recente.

Além disso, "alguns hospitais importantes foram quase completamente destruídos. Outros foram vandalizados e incendiados durante a ocupação do EI", relata Erfan Ali, chefe do programa de Habitação no Iraque.

- Normalidade -

Se no leste de Mossul a vida quase retomou seu curso - ruas engarrafada, restaurantes e lojas abertas -, no oeste, uma aparência de normalidade começa a surgir timidamente, apesar da devastação.

Operários começam a instalar novas tubulações de esgoto, enquanto as retroescavadeiras limpam os escombros.

Enquanto se espera os grandes projetos, as pessoas fazem o melhor que podem: para a eletricidade, há geradores e, para a água, carros-pipa, ou ONGs.

As organizações humanitárias presentes em Mossul distribuíram kits de construção - madeira, compensado, lonas resistentes - para cerca de 12.700 famílias, contou à AFP a porta-voz do Conselho Norueguês para os Refugiados, Melany Markham.

Na entrada da casa bege de Yunès, sacos de cimento e blocos de concreto repousam empilhados. A fachada está marcada pelos impactos de morteiros.

Um carro-bomba explodiu em frente a sua casa, deixando as janelas estilhaçadas. No banheiro, uma grande abertura na parede é disfarçada por tábuas de madeira.

"Nós nos esforçamos muito para construir esta casa", lamenta.

AFP