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Um combatente das Forças Democráticas Sírias (FDS) observa Raqa, no dia 20 de outubro de 2017

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Em um dos antigos "centros de imprensa" do grupo Estado Islâmico (EI) em Raqa, um panfleto rasgado e manchado de sangue anuncia "operações especiais dos soldados do califado", um rastro da poderosa máquina de propaganda dirigida pelos extremistas em seu antigo reduto na Síria.

A cidade, conquistada em 2014, rapidamente se transformou em um laboratório onde a organização cometeu as suas piores atrocidades e impôs as suas regras mediante a força.

Porém, desde que as Forças Democráticas Sírias (FDS) - uma aliança de combatentes curdos e árabes apoiada pelos Estados Unidos - expulsaram o EI de Raqa, a espinha dorsal da propaganda extremista se quebrou.

Por toda a cidade podem ser vistos quiosques construídos em cimento de cor cinza-azulado, os "centros de imprensa" da organização, de onde os extremistas distribuíam panfletos sobre as suas conquistas militares na Síria e no Iraque, assim como folhetos explicativos sobre o jejum e os trajes das mulheres.

Um deles está instalado na praça do Relógio, local tristemente célebre por ter sido cenário de execuções públicas feitas pelo EI. Ao lado do quiosque, fileiras de cadeiras vermelhas e verdes estão posicionadas em direção a um suporte metálico para um televisor, próximo a uma tela plana em pedaços no chão.

"O Daesh (acrônimo em árabe do EI) divulgava o seu conteúdo aqui para que os habitantes pudessem vê-lo - imagens de batalhas, torturas e cânticos islâmicos -", diz Shoresh al Raqqawi, um combatente das FDS nascido em Raqa.

Após o anúncio da reconquista do local na última terça-feira, a maioria das tropas curdo-árabes se retiraram, mas uma pequena unidade, da qual faz parte esse combatente, permanece para as operações de rastreamento e para desativar bombas.

- 'Batatas fritas e caramelos' -

Os extremistas que trabalhavam nos quiosques costumavam deter jovens que andavam com seus telefones celulares para apagar as músicas existentes nos aparelhos e substituí-las por cânticos islâmicos, conta Al Raqqawi.

"O Daesh também reunia as crianças e presenteava-as com caramelos, batatas fritas e biscoitos, enquanto lhes mostrava vídeos e cânticos", ressalta.

O EI conseguiu instalar uma máquina sofisticada e em vários idiomas, com revistas digitais, canais de rádio e campanhas nas redes sociais, em que se vangloriava de suas conquistas militares.

A organização integrava com frequência menores de idade em sua facção para aumentar o impacto de suas ações.

Após a queda de Raqa, os meios de comunicação do EI continuam operando a partir de outros redutos extremistas, ainda que se note uma mudança de tom em suas mensagens, agora com um ar nostálgico.

- Panfletos -

Shoresh Raqqawi e seu amigo Jalil Abu Walid assistiram aos castigos e às execuções públicas de supostos opositores, entre eles reféns ocidentais acusados de espionagem. Quando chegava a hora, as lojas fechavam as suas portas e os moradores se reuniam para assistir o ato.

"Batiam e golpeavam as pessoas com muita força", relata Abu Walid.

Por toda parte podem ser vistos folhetos do EI espalhados pelo chão. Em uma documento administrativo empoeirado, um quadro indica o número de vezes que o proprietário recebeu o zakat, uma contribuição, como gesto de caridade, que é o terceiro pilar do islamismo.

No sábado, autoridades dos serviços de inteligência estrangeiros inspecionavam uma casa próxima a Al Naim, outro cenário das atrocidades cometidas pelo EI.

"Estão buscando por supostos quartéis-generais do EI", informou um combatente das FDS que os acompanhava. "Procuram corpos, documentos de identidade ou qualquer outra informação", acrescentou.

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AFP