Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Joaquín 'El Chapo' Guzmán é escoltado em Ciudad Juárez em 19 de janeiro de 2017

(afp_tickers)

O poderoso traficante de drogas mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán comparecerá pela primeira vez ante a justiça americana depois de chegar na noite de quinta-feira a Nova York após ser extraditado do México.

"El Chapo", que foi durante muitos anos o traficante mais temido do planeta, aterrissou no aeroporto MacArthur de Long Island em Islip, Nova York, e enfrenta nos Estados Unidos seis acusações penais, informou o departamento de Justiça em um comunicado.

A imprensa americana afirma que comparecerá à corte federal no Brooklyn nesta sexta-feira.

Até agora, Guzmán estava detido em uma prisão federal de Ciudad Juárez, no México, fronteiriça com a americana El Paso, no Texas.

O departamento de Justiça também expressou sua gratidão ao governo mexicano por sua "cooperação e assistência" ao entregar Guzmán à justiça americana.

Guzmán também é requerido por tribunais da Califórnia e do Texas pelos crimes de homicídio e narcotráfico.

- Surpresa para a defesa -

Silvia Delgado, advogada de Guzmán em Ciudad Juárez, disse à rede de televisão Milenio que não foi notificada da extradição e que soube da notícia pelos meios de comunicação.

"Fizeram isso de maneira ilegal porque ainda não se resolveu o recurso pendente de revisão (...) Somos os principais surpresos por esta notícia, não temos nenhuma informação por parte das autoridades", declarou Delgado.

A advogada explicou que visitou Guzmán na manhã de quinta-feira, que ele estava tranquilo e que pediu que enviasse uma carta ao presidente Enrique Peña Nieto para denunciar "a violação de seus direitos humanos".

A defesa de Guzmán alegou para evitar a extradição que a justiça do Texas poderia condená-lo à pena de morte, o que contraria o tratado de extradição entre os dois países, já que o México aboliu a pena capital.

O juiz responsável pelo caso rejeitou o argumento, enquanto a Suprema Corte se negou na quinta-feira a estudar seu caso.

A extradição cumpre "as normas constitucionais, os requisitos estabelecidos no tratado bilateral e demais disposições legais vigentes para sua emissão", disse a chancelaria mexicana no comunicado.

A extradição foi realizada horas antes da posse na presidência americana do magnata Donald Trump, que acusou os imigrantes ilegais mexicanos no país de serem "traficantes de drogas", "estupradores" e "criminosos", e que deseja construir um muro na fronteira com o México.

O vice-procurador responsável por assuntos jurídicos e internacionais do Ministério Público do México, Alberto Elías Beltrán, afirmou em uma coletiva de imprensa que a determinação de extraditar Guzmán a horas da posse de Trump não foi motivada por assuntos de política internacional.

O executivo não intervém nas decisões e prazos do poder judiciário, disse.

AFP