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Uma mulher infectada pelo vírus zika deu à luz nesta segunda-feira na Espanha o primeiro bebê com microcefalia nascido na Europa

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Uma mulher infectada pelo zika deu à luz nesta segunda-feira na Espanha o primeiro bebê com microcefalia nascido na Europa após o surto do vírus, informaram os responsáveis do hospital onde o nascimento ocorreu, em Barcelona.

Em maio passado, o bebê se tornou o primeiro na Espanha a ser diagnosticado com microcefalia, e o segundo na Europa, atrás de outro feto afetado na Eslovênia, mas neste caso foi realizado um aborto para interromper a gravidez.

A mulher se infectou pelo zika vírus em um viagem a um país latino-americano, que não foi identificado pelas autoridades.

"O bebê não precisou de nenhuma reanimação específica. Encontra-se clinicamente bem (...) com funções vitais normais e estáveis", disse em uma coletiva de imprensa Félix Castillo, diretor do serviço de neonatologia do hospital Vall d'Hebron de Barcelona, na região da Catalunha.

O recém-nascido, cujo sexo não foi revelado por questões de privacidade, está sendo "monitorado" constantemente, e os primeiros exames realizados confirmaram que ele "tem o perímetro craniano menor que o habitual e que tem microcefalia", acrescentou Castillo.

O vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, está associado a malformações congênitas graves e irreversíveis, entre elas a microcefalia do feto, que se caracteriza por um desenvolvimento deficiente do cérebro e do crânio.

Devido à microcefalia, "o cérebro não cresceu, e se não cresceu, não vai funcionar bem", afirmou Castillo. "Isso implica uma vida muito dependente de cuidados", acrescentou.

O parto foi feito por cesariana após quarenta semanas de gravidez. "A evolução da mãe é muito boa", e tanto ela como o pai da criança "estão muito emocionados" com o nascimento, afirmou Elena Carreras, diretora do serviço de obstetrícia do hospital.

Outros casos na Espanha

A Espanha é um dos países europeus mais afetados pelo zika. O vírus atingiu com virulência especial a América Latina e o Caribe, cujos cidadãos representam 21,8% do total de estrangeiros no país, de modo que as viagens para essas regiões são frequentes.

Segundo dados do Ministério da Saúde de 22 de julho, há 190 pessoas infectadas pelo zika na Espanha. Todas elas contraíram a doença em viagens para zonas afetadas pelo zika, com exceção de um caso de transmissão sexual na região de Madri.

Trata-se de uma mulher infectada pelo seu companheiro, que tinha viajado para um país latino-americano na primavera boreal, informaram as autoridades sanitárias no início de julho.

Em junho, foi detectado o segundo caso de feto com microcefalia associada ao zika no país. Nesta ocasião, a mãe, que observou os sintomas da doença enquanto morava na América Latina e depois se mudou para a Espanha, decidiu abortar, segundo o Ministério da Saúde.

O surto atual de zika apareceu na América Latina em 2015 e se propagou rapidamente pela região. Com cerca de 1,5 milhão de infectados, o país mais afetado é o Brasil, que em poucos dias receberá uma avalanche de visitantes para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Desde outubro, 8.571 casos de microcefalia associada ao zika foram notificados no Brasil, dos quais 1.709 foram confirmados, com 102 mortes, segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde.

Segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista científica Nature Microbiology, "dezenas de milhares" de bebês podem nascer com severos transtornos associados ao vírus zika durante a atual epidemia na América Latina e no Caribe.

No total, 93,4 milhões de pessoas podem ser infectadas com o vírus da zika durante a atual epidemia, entre elas 1,65 milhão de mulheres grávidas, embora em 80% dos casos as infecções seriam benignas ou passariam inadvertidas, destacam os autores.

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AFP