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Ali Tuwaileb e os contêineres frigoríficos onde estão conservados os corpos dos combatentes do EI em Sirte, Líbia, 26 outubro de 2017

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Nas instalações do organismo de combate ao crime organizado da cidade líbia de Misrata, Ali Tuwaileb verifica a temperatura dos contêineres frigoríficos alinhados a céu aberto. Neste necrotério jazem, há quase um ano, 700 cadáveres de extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

"É preciso manter a temperatura entre -18°C e -20°C para que os corpos se conservem bem", explica.

Estes extremistas morreram em Sirte (450 km ao leste de Trípoli), ex-reduto da organização extremista, liberado em dezembro de 2016 após violentos combates e uma intervenção aérea dos Estados Unidos.

Diante dos contêineres há duas velhas macas sob uma cobertura improvisada com chapas e barras de metal, usada como laboratório pelo legista.

"Como você vê, carecemos de recursos. Aqui é onde extraíamos as amostras para os testes e DNA e fotografávamos os corpos", explica Ali Tuwaileb, encarregado do "necrotério".

Outras centenas de cadáveres de jihadistas ficaram abandonados em Sirte sob os escombros ou em cemitérios construídos pelo EI.

Dias depois do final dos combates, os corpos dos jihadistas, em estado adiantado de decomposição, jaziam nas ruas e faziam temer uma epidemia de peste na cidade.

Segundo Tuwaileb, entre 1.500 e 2.000 jihadistas estão enterrados em Sirte.

"Não temos muitos frigoríficos, se tivéssemos teríamos podido desenterrar todos os corpos", lamenta o encarregado líbio, que assegura que os dois contêineres em seu poder foram emprestados por empresas privadas.

- Cheiro nauseabundo -

Dos sete contêineres frigoríficos existentes em Misrata (200 km ao leste de Trípoli), três estavam avariados.

"Tivemos que distribuir os corpos em frigoríficos que funcionam", prosseguiu.

"Mas nós precisamos deles, sobretudo no verão. Primeiro por causa das altas temperaturas e sobretudo pelos cortes elétricos. Sempre é preciso se assegurar de que o grupo eletrógeno funciona e que se pode alimentar regularmente com combustível".

Ao abrir um dos contêineres, Tuwaileb libera uma espessa nuvem de vapor com cheiro de morte, que se densifica em contato com o ar quente.

No interior, sacos de corpos machados de sangue e lama estão dispostos em estantes metálicas, envoltos por um cheiro nauseabundo.

"Os sacos têm número e estão classificados. Cada cadáver dispõe de seu próprio dossiê, de uma amostra de DNA e de todos os elementos, documentos e outros indícios encontrados em cada corpo", explica Tuwaileb.

Aos corpos encontrados em Sirte tiveram que somar os dos jihadistas mortos semanas depois em um bombardeio americano ao sul da cidade.

Tuwaileb afirma ter recebido sessenta corpos vindos dos locais bombardeados.

Os Estados Unidos afirmam ter matado mais de 80 combatentes do EI com uma centena de bombas teleguiadas ou a laser, lançadas por dois aviões furtivos sobre dois acampamentos de jihadistas, situados 45 km a sudoeste de Sirte.

- Transferência de dossiês -

Os dossiês foram transportados ao gabinete do procurador-geral em Trípoli. "É ele quem deve decidir o que vai acontecer com estes corpos, se os enterramos e onde", explica Tuwaileb.

Segundo ele e os documentos de identidade encontrados, a maioria dos cadáveres é de jihadistas tunisianos, egípcios, sudaneses e, inclusive, líbios. Ninguém veio buscá-los.

"Não sabemos se estes países contataram o procurador-geral para recuperar os cadáveres de seus cidadãos, mas no que nos diz respeito, ninguém veio nos visitar para tentar identificar os corpos", acrescentou.

Contatado várias vezes pela AFP, o gabinete do procurador-geral não quis se pronunciar sobre o tema.

"Enquanto isso, os corpos vão ficar aqui. O problema é que algumas companhias que nos emprestaram os contêineres frigoríficos querem recuperá-los", reforça Tuwaileb. "Digo a eles que podem recuperar seus frigoríficos, mas com o conteúdo".

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AFP