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Angela Merkel e Horst Seehofer

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A Chancelaria alemã anunciou, nesta segunda-feira (9), o lançamento na próxima semana das negociações para a formação do próximo governo federal, enquanto um primeiro desacordo se anuncia entre conservadores, Verdes e Liberais sobre a questão muito sensível da recepção de refugiados.

Depois de uma vitória decepcionante nas eleições legislativas de 24 de setembro e de um avanço histórico da extrema direita, a chanceler Angela Merkel fez, no domingo (8), uma grande concessão política à ala mais conservadora de sua família política, a CSU bávara, concordando em estabelecer um limite para a entrada de demandantes de asilo, a 200 mil por ano.

Apesar de não ser um teto fixo, o líder da CSU, Horst Seehofer, disse nesta segunda-feira estar "feliz e satisfeito" ao lado da chanceler.

Afirmando ter conseguido unificar as posições de seu partido, a CDU, e as da CSU, Merkel anunciou a abertura das negociações preliminares com os Verdes e os Liberais para formar uma maioria governamental em 18 de outubro.

"Para nós, ontem foi um dia importante, porque a CDU e a CSU tiveram que encontrar uma posição comum (...) nessas negociações", reconheceu a chanceler nesta segunda-feira.

"A CDU/CSU convidará primeiro os FDP (liberais) e depois os Verdes no dia 18 de outubro para discussões separadas. Então, na sexta-feira, 20 de outubro, haverá discussões exploratórias com todos os parceiros", disse ela à imprensa em Berlim.

Previstas para durar meses, essas negociações começarão após uma eleição regional na Baixa Saxônia no domingo. Esta votação é de alto risco para a CDU, que, depois de liderar as pesquisas, aparece agora empatada com os social-democratas (SPD).

Enfraquecida pelo resultado das legislativas (32,9%), Merkel tem a árdua tarefa de unir conservadores, Verdes e liberais em uma maioria.

- Críticas e desacordos -

A questão migratória é motivo de discórdia. Assim, um possível compromisso já foi questionado pelos Verdes.

"Esta pode ser a posição da CDU/CSU, mas não será a de um futuro governo", disse o copresidente dos ecologistas, Cem Özdemir, na manhã desta segunda-feira.

"Estou curioso para ver como eles vão tentar nos vender isso", acrescentou.

Katrin Göring-Eckardt, líder dos deputados Verdes, afirmou que o acordo CDU/CSU se assemelhava a "um compromisso puramente formal" para parecer unido contra Verdes e liberais.

Do lado do FDP, a vice-presidente Marie-Agnes Strack-Zimmermann se mostrou cautelosa, elogiando o fato de os conservadores "conversarem um com o outro novamente", considerando seu compromisso "um primeiro passo antes das conversas (reais) sobre a (formação) do governo".

Ela também enfatizou que "o direito de asilo deve ser implementado de acordo com os princípios do Estado de Direito" que proíbem qualquer limite artificial.

Há dois anos, a CSU exige uma limitação a 200 mil das chegadas anuais de demandantes de asilo à Alemanha, o que a chanceler recusou por razões humanitárias e constitucionais.

No final, o compromisso anunciado no domingo não prevê um teto, mas uma meta fixada em 200 mil, uma espécie de limite "light" que não se concentrará nas chegadas nas fronteiras, mas no fluxo de refugiados que o governo pode controlar.

Além da questão migratória, conservadores, liberais e verdes divergem em muitas questões substanciais, como reforma da UE, transição energética e finanças públicas. Todos prometeram, porém, abordar as negociações de uma forma construtiva.

Desde as primeiras eleições de 1949 na Alemanha do Pós-Guerra, o partido vencedor sempre conseguiu constituir um governo. Um fracasso de Merkel, após 12 anos no poder, poderia dar origem a eleições legislativas antecipadas.

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AFP