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Nicarágua comemora aniversário sandinista com estrela misteriosa

Foto divulgada pela assessoria de imprensa da Presidência da Nicarágua mostrando a Praça da Revolução durante o 41º aniversário da Revolução Sandinista, realizada sem um evento público devido à pandemia da COVID-19, em Manágua, em 19 de julho de 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. julho 2020 - 22:57
(AFP)

O presidente da Nicarágua Daniel Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, comemoraram o aniversário da Revolução Sandinista em torno de uma misteriosa estrela gigante.

O casal presidencial apareceu no domingo na cerimônia oficial em um palanque localizado em frente a uma estrela pentagonal decorada com samambaias e flores, na histórica Plaza de la Revolución, em Manágua.

Ao redor da figura havia centenas de cadeiras ocupadas por jovens apoiadores da Frente Sandinista (FSLN, de esquerda), partido com o qual Ortega governou após a vitória da revolução entre 1979 e 1990 e de 2007 até hoje.

"Supertição pura (...) O pentagrama significa muitas coisas. Nesse caso, acho que foi usado como um símbolo de proteção contra espíritos malignos", disse à AFP a escritora Gioconda Belli.

"Eles se sentem ameaçados e se protegem com a estrela, também cercados por jovens, criando um círculo de poder em torno dos governantes", afirmou.

O pastor evangélico Terencio Blanco declarou à imprensa local que a estrela é "um símbolo satânico".

O ex-deputado da oposição Eliseo Núñez não descarta que o pentagrama seja uma provocação à Igreja Católica, defensora de mudanças políticas e em conflito com o governo por abrigar manifestantes feridos nos protestos de 2018.

"Ele envia a mensagem à hierarquia católica de que eles podem fazer o que quiserem e que não há nada que possam fazer para evitar", disse Núñez à AFP.

"É um símbolo da magia ligada a atos satânicos", disse o ex-padre e diplomata Edgar Parrales à AFP. Ele também afirmou que Ortega "busca a proteção das forças das trevas contra críticas da oposição e da comunidade internacional".

Segundo pesquisas, a popularidade de Ortega despencou por sua gestão da pandemia de COVID-19. Em 2018, protestos exigiram sua renúncia e a repressão ao atos deixou pelo menos 328 mortos, segundo grupos humanitários. Ortega enfrenta ainda uma contração econômica de cerca de 5%, segundo o FMI.

Os Estados Unidos bloquearam o acesso da Nicarágua a empréstimos de organizações multilaterais e sancionaram cerca de vinte funcionários acusados de corrupção e violação de direitos humanos, entre eles, a primeira-dama e três filhos de Ortega.

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