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Nigéria, o bairro de Guayaquil mergulhado na pandemia e na fome

Homem cozinha em uma rua do bairro Nigéria, na seção Isla Trinitaria de Guayaquil, Equador, em 11 de abril de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. abril 2020 - 13:55
(AFP)

Com o toque de recolher, policiais começam a pressionar os moradores. Horas antes, ninguém na Nigéria - um assentamento de herança afro de Guayaquil, epicentro da pandemia no Equador - seguiu as recomendações contra o novo coronavírus.

O contágio traz um mal menor, dizem seus habitantes, que apontam a falta de comida como o grande problema do confinamento. Essas pessoas conhecem a fome e temem-na mais do que o coronavírus, que já deixou mais de 350 mortos no país.

"As autoridades dizem às famílias: fiquem dentro de casa, mas não vão além disso. A necessidade que tínhamos antes disso é ainda pior agora", desabafa o líder comunitário Washington Angulo, de 48 anos, cuja família foi uma das fundadoras deste assentamento nos anos 1980.

As tensões explodem todos os dias por volta das 14h, quando começa o toque de recolher de 15 horas imposto pelo governo para enfrentar a pandemia. Nesse contexto, as denúncias de abusos se multiplicaram nas redes sociais.

- Sem proteção -

A Nigéria, onde vivem cerca de 8.000 famílias, estende-se ao pé do Mogollón, um dos braços do mar de Guayaquil, eixo econômico do Equador e uma das cidades latino-americanas mais castigadas pela pandemia.

O país registra hoje em torno de 7.500 casos detectados - na região, fica atrás apenas do Brasil - desde 29 de fevereiro, com 355 mortos. A província de Guayas e sua capital, Guayaquil, concentram 72% dos contágios, segundo as autoridades locais.

Sem nenhum contágio confirmado, na Nigéria, ouve-se apenas falar da tragédia que afeta muitas famílias de Guayaquil, que tiveram de esperar dias com seus mortos nas casas, diante do colapso dos sistemas de saúde e funerário.

Enquanto isso, os homens bebem nas esquinas, ou transformam ruas estreitas em campos de futebol. As mulheres se reúnem, enquanto as crianças brincam perto de água parada.

Poucos usam máscara, e não se veem luvas. Distanciamento social é algo inexistente: as saudações continuam sendo apertos de mão.

Em cada casa, pequenas e precárias moradias de teto de zinco, vive mais de uma família. O calor sobe até 32oC. Não há ar-condicionado, nem ventiladores, apenas um aparelho de televisão para todos.

A depressão econômica causada pela pandemia deixou sem trabalho a maioria dos moradores desta comunidade, entre vendedores ambulantes, catadores e recicladores de lixo, cozinheiro, ou "flanelinhas".

Com doações de empresas privadas, as autoridades locais tentam amenizar a situação de emergência, entregando cestas básicas - que não chega para todo o mundo.

Em meio à paralisia econômica, o governo também repassa 60 dólares de subsídio para as famílias mais pobres.

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