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Um visitante tira foto durante o Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, no dia 1º de março de 2017

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Risco de ataques cibernéticos nas eleições, atos de ciberguerra... a digitalização provoca novas ameaças para a estabilidade do mundo, afirmou o chefe da empresa de segurança informática Kaspersky Lab, Eugene Kaspersky, durante o Congresso Mundial de Celulares (MWC) de Barcelona.

PERGUNTA: Pela primeira vez a ciberameaça está sendo discutida por ocasião de eleições importantes, nos Estados Unidos e na Europa. Qual é o estado da questão, segundo você?

RESPOSTA: Para começar, é preciso distinguir. De um lado há um uso de informações falsas, o hackeamento de contas de e-mail para obter dados eventualmente comprometedores contra os candidatos, e o fato de prejudicar a reputação de um ou outro. Estritamente falando, isso não é um ciberataque contra uma eleição, mas uma forma de influenciar no resultado.

No entanto, no futuro, pode haver um risco sobre o resultado em si. Já sabemos que os jovens não querem necessariamente se deslocar às urnas e, se fosse possível, poderiam participar de eleições a partir de seu telefone celular. Isso é algo que provavelmente acabará acontecendo, e se o conjunto do processo não for bem protegido pode ser possível que o resultado depois da votação seja manipulado.

P: Com a digitalização industrial também aumentam as ameaças. O que pode ser feito?

R: Há ataques contra infraestruturas, o que pode se comparar a ciberterrorismo. Nos últimos anos vimos ataques deste tipo contra a rede elétrica na Ucrânia, internet na Estônia, hospitais ou a petrolífera estatal Saudi Aramco.

Os governos entendem agora os riscos de ataques contra infraestruturas críticas, mas nem todos estão agindo. A primeira etapa consiste em definir e regular o que são as infraestruturas estratégicas. A Alemanha, por exemplo, está fazendo isso; Cingapura e Israel já o fizeram.

Precisamos aplicar normas em nível internacional, tanto com as infraestruturas críticas quanto com a ciberregulação. De nossa parte, estamos trabalhando para convencer os Estados.

P: Isso pode se tornar uma guerra entre Estados no ciberespaço?

R: Pode ser que eu esteja errado, mas não acredito que vamos ver uma ciberguerra, porque os Estados sabem que, se um país ataca outro, este responderá e as consequências serão consideráveis de ambos os lados. E isso cria um clima de guerra fria, como na era nuclear.

O verdadeiro risco provém, acima de tudo, do ciberterrorismo. Há muitos engenheiros com talento que estariam totalmente dispostos a realizar este tipo de atos se forem bem pagos, o que pode ter consequências importantes nos países atacados.

Até o momento, observo que as ameaças mais sofisticadas envolvem sobretudo a cibercriminalidade e a espionagem. Sempre é difícil saber de onde elas vêm, mas sabemos em que língua foram realizadas. A ciberespionagem é feita sobretudo em inglês, russo e chinês simplificado, em horas do dia que variam caso a caso.

O cibercrime, por sua vez, só é feito em russo, segundo ele.

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AFP