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Seis mulheres acusam o diretor de Hollywood Brett Ratner de má conduta sexual e assédio

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O envolvimento de figuras importantes como o produtor Harvey Weinstein, os atores Kevin Spacey e Dustin Hoffman, e o diretor Brett Ratner em escândalos sexuais abala Hollywood e coloca em xeque a indústria do entretenimento americano.

A última denúncia envolve o ícone Dustin Hoffman: em um editorial na Hollywood Reporter, a escritora Anna Graham Hunter acusou o ator - hoje com 80 anos - de tê-la tocado na bunda em várias ocasiões e de assediá-la quando tinha apenas 17 anos.

Ratner e o chefe de notícias da NPR (sigla para Rádio Pública Nacional, em português), Mike Oreskes, foram envolvidos no escândalo sexual de Hollywood nesta quarta-feira, quando mais mulheres relataram histórias de abusos.

Enquanto isso, a NPR enviou um e-mail aos funcionários para dizer-lhes que Oreskes, vice-presidente sênior de notícias, foi demitido após as acusações de assédio sexual, que remontavam aos anos 1990.

As atrizes Natasha Henstridge e Olivia Munn, assim como outras quatro mulheres, acusaram Ratner, diretor de "A hora do rush" e "X-Men: o confronto final", de má conduta sexual, informou o jornal "Los Angeles Times" nesta quarta-feira.

Ratner, de 48 anos, um prolífico diretor e produtor cujos filmes arrecadaram mais de dois bilhões de dólares no mundo todo, rebateu as acusações com firmeza, em uma nota enviada ao Times por seu advogado.

Henstridge disse ao Times que era uma modelo de 19 anos em Nova York, no início da década de 1990, quando Rather, um diretor de clipes musicais então na faixa dos 20, obrigou-a a fazer sexo oral.

"Me forçou com seus braços, de verdade. Me forçou fisicamente", descreveu Henstridge, que trabalhou em filmes como "A experiência" e "Meu vizinho mafioso".

"Em determinado momento, parei de resistir e ele fez a coisa dele", relatou.

Henstridge disse ter-se inspirado nas histórias de outras mulheres que lançaram, recentemente, acusações de assédio sexual por parte do produtor Harvey Weinstein e do diretor James Toback.

Munn, que trabalhou na série da HBO "The Newsroom" e no filme "Magic Mike", disse ao Times que Ratner se masturbou na frente dela, quando era uma atriz iniciante no set de "Ladrão de diamantes".

Sua história foi contada em um livro de sua autoria, sem mencionar diretamente o diretor.

Agora, alegou ela, chegou a hora de falar.

"Tomei decisões específicas, conscientes, de não trabalhar com Brett Ratner", desabafou, na entrevista ao jornal.

Outras quatro mulheres também contaram ao jornal histórias sobre o mau comportamento sexual, ou intimidador, de Ratner.

Por meio de seu advogado, Martin Singer, o diretor rejeitou as acusações.

"Representei o sr. Ratner durante duas décadas, e nenhuma mulher nunca apresentou queixas contra ele por má conduta sexual, ou por assédio sexual", defendeu Singer, em uma carta de dez páginas ao jornal.

"Mais do que isso, nunca uma mulher reivindicou, ou recebeu, qualquer acordo financeiro por parte do meu cliente", insistiu Singer.

O Departamento de Polícia de Beverly Hills disse na terça-feira que estava investigando "múltiplas queixas" contra Weinstein e Toback, que enfrentam uma avalanche de acusações de relações sexuais indesejadas.

Relatos de abusos por parte de Weinstein que foram publicados no mês passado no jornal The New York Times e na revista The New Yorker encorajaram outros a falarem, desencadeando uma série de acusações de assédio sexual e agressão contra personalidades de Hollywood e de outros lugares.

- "Errado e indesculpável"

Mais de 50 mulheres, incluindo estrelas como Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Mira Sorvino, acusaram Weinstein, de 65 anos, de abuso e assédio sexual.

O LA Times entrevistou 38 mulheres que acusaram Toback de relações sexuais indesejadas, e o jornal disse que foi bombardeado com e-mails e telefonemas de outras mais de 200 mulheres após a publicação da história.

O CEO da NPR, Jarl Mohn, disse em um e-mail à equipe da empresa, nesta quarta-feira, que pediu a Oreskes que se demitisse por causa do seu "comportamento inadequado", e o executivo atendeu o pedido.

"Sinto profundamente pelas pessoas que machuquei. O meu comportamento foi errado e indesculpável, e assumo total responsabilidade", disse Oreskes, citado pela NPR.

O The Washington Post publicou acusações de duas mulheres que disseram ter sido assediadas por Oreskes no final da década de 1990, quando ele era chefe do escritório do The New York Times em Washington.

Ele também foi acusado de assédio por uma funcionária da NPR, informou a estação em seu site.

- Novas acusações contra Spacey -

Nesta quarta-feira, o ator mexicano Roberto Cavazos se uniu às acusações de agressão sexual contra o astro americano Kevin Spacey, ao afirmar que teve "encontros desagradáveis" com o outrora aclamado protagonista da série "House of Cards".

Cavazos, um ator formado na Grã-Bretanha e com experiência no cinema, teatro e televisão, escreveu no Facebook que os encontros com Spacey "estiveram no limite do que poderia ser chamado de assédio".

O ator mexicano explicou que encontrou com Spacey em Londres quando o americano era diretor artístico do teatro Old Vic, entre 2004 e 2015.

"Parece que a única exigência era ser um homem com menos de 30 anos para que o sr. Spacey sentisse que estava livre para nos tocar", escreveu no Facebook.

"Era tão comum que até virou uma piada (de muito mau gosto)", completou.

Na segunda-feira, Spacey, duas vezes vencedor do Oscar e aclamado por sua interpretação do impiedoso presidente Francis Underwood em "House of Cards", foi acusado pelo ator Anthony Rapp de assédio quando este tinha apenas 14 anos, há três décadas. Spacey pediu desculpas em uma mensagem no Twitter e se declarou homossexual.

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AFP