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O novo ciclo de negociações entre UE e Reino Unido para o Brexit começa nesta segunda-feira, em um ambiente de desconfiança e disputa entre a postura europeia de abordar primeiramente os detalhes do divórcio e a britânica de tentar negociar de modo paralelo o tema comércio

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O novo ciclo de negociações entre União Europeia e Reino Unido para o Brexit começou nesta segunda-feira, em um ambiente de desconfiança e disputa entre a postura europeia de abordar primeiramente os detalhes do divórcio e a britânica de tentar negociar de modo paralelo o tema comércio.

A terceira rodada de diálogos, que terminará na quinta-feira, começou durante a tarde na sede da Comissão Europeia, presidida por Michel Barnier, o negociador da UE, que buscará aproximar posições com David Davis, o ministro britânico para o Brexit.

A reunião não começou com boas previsões, após as declarações das duas partes.

"Para ser sincero, estou preocupado. O tempo passa depressa. Temos que começar a negociar seriamente", declarou Barnier nesta segunda-feira, na sede da Comissão Europeia, em uma curta declaração ao lado de Davis.

"Para o Reino Unido, a semana que vem deve permitir fazer avançar as negociações técnicas sobre todos os temas", respondeu Davis, frisando essa abrangência.

Nos últimos dias, Bruxelas soube do desejo britânico de tratar dos futuros acordos comerciais em paralelo à separação da UE, ainda que tenha assegurado que só abordarão a questão quando alcançarem "progressos suficientes nos termos de uma saída ordenada".

Uma fonte britânica declarou que "as duas partes devem ser flexíveis e estar dispostas a encontrar compromissos para resolver as áreas nas quais existem divergências".

"Trabalhamos respeitando o mandato" da negociação pelos dirigentes dos países que continuam na UE, reagiu nesta segunda-feira um porta-voz da Comissão, questionada pela imprensa sobre esse "flexibilidade".

- 'Espaço muito grande' -

Com o tempo, se aproxima a data-limite para a saída, no fim de março de 2019. Contudo, uma fonte europeia disse nesta sexta-feira que o problema não é falta de tempo.

"Se alguém olha onde estamos e onde deveríamos estar, há um espaço muito grande", lamentou o funcionário, que estimou que é "pouco provável" que eles sejam superados nesta semana.

Davis disse, na semana passada, que acha que o Reino Unido "trabalhou duro" em suas propostas e mostrou a série de documentos sobre vários braços do Brexit que o governo publicou recentemente.

"Estamos prontos para pôr as mãos à obra e começar a trabalhar mais uma vez", completou.

Para Bruxelas, contudo, a maior parte das propostas de Londres abordam "a relação futura" com a UE, que os 27 se negam a negociar antes de selar os termos da separação.

- 'Moeda de troca' -

Para a UE, os pontos prioritários são o futuro dos cidadão europeus no Reino Unido, a conta da separação e as propostas para a fronteira entre Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

Segundo um funcionário de alto escalão europeu, os britânicos "prometeram uma apresentação oral sobre sua análise jurídica" acerca da fatura do Brexit, um assunto muito delicado. Bruxelas criticou reiteradamente o silêncio dos britânicos sobre o tema.

Segundo vários negociadores europeus, "nenhum avanço" é esperado nessa rodada, cujo objetivo é chegar rapidamente a um acordo com Londres sobre o método para calcular o montante, sem falar de cifras, contudo.

Para os europeus, a fatura que o Reino Unido deve pagar oscila entre 60 bilhões e 100 bilhões de euros. Para a imprensa britânica, contudo, Londres estaria disposta a pagar até 40 bilhões.

Sobre a Irlanda, a UE disse estar "um pouco preocupada" pelo vínculo traçado por Londres "entre o futuro do processo de paz irlandês e a relação futura" com os 27, explicou um responsável europeu.

"É muito importante que o processo de paz não se converta em uma moeda de troca", insistiu.

Quanto aos expatriados após o Brexit, um dos principais obstáculos é a recusa do Reino Unido de que a Corte de Justiça da UE garanta diretamente os direitos dos europeus em solo britânico.

Para Barnier, num cenário ideal, na cúpula marcada para o fim de outubro, os 27 deveriam poder abordar temas que mostrem que já houve "progressos suficientes".

Isso permitiria travar, paralelamente, um diálogo sobre as futuras relações comerciais com Londres.

Contudo, segundo uma fonte diplomática, o negociador chefe da UE expressou recentemente suas dúvidas neste tema, devido à escassez de avanços.

Durante a rodada de negociações, o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, contrário ao Brexit, será recebido nesta quinta-feira pelo presidente da Comissão, Jean-Claude-Juncker. Não tem a ver com "nenhum complô", insistiu um porta-voz do executivo europeu.

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AFP