Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Moradora observa os destroços de uma casa incendiada durante ataque em Lamu, em 6 de julho de 2014

(afp_tickers)

Ao menos 21 pessoas morreram em novos ataques na região costeira de Lamu, no Quênia, na mesma zona onde, no mês passado, 60 pessoas foram massacradas, informaram autoridades quenianas neste domingo.

Estes novos ataques foram reivindicados pelos islamitas somalis shebab, um grupo vinculado à Al-Qaeda. No entanto, a polícia queniana acusou um grupo separatista por este crime.

Em um incidente separado, uma turista russa foi morta na cidade portuária de Monbasa, o que, segundo a polícia, se tratou de um caso de violência comum, depois que a mulher resistiu a uma tentativa de roubo de sua câmera.

De acordo com a polícia, os ataques ocorridos na noite de sábado perto de Lamu, especificamente nas cidades de Hindi e de Gamba, deixaram 21 mortos, enquanto a Cruz Vermelha queniana informou sobre 22 vítimas fatais.

"Ocorreram ataques durante a noite nos quais pessoas morreram e casas foram destruídas. Mobilizamos nossos oficiais e estamos em terra. Convocamos a população a trabalhar em estreita colaboração conosco", declarou um oficial da polícia de Lamu.

A polícia também indicou que homens armados não identificados atearam fogo em várias casas e atacaram a delegacia de Gamba, libertando um suspeito dos ataques do mês passado. Entre os mortos figura um policial, indicaram autoridades.

Um jornalista da AFP em Hindi informou que todas as vítimas nesta localidade são homens, exceto um adolescente que foi abatido ao tentar fugir.

Os criminosos deixaram uma mensagem escrita em inglês e suaíli em um quadro-negro retirado de uma escola. "Vocês invadiram um país muçulmano e querem permanecer em paz", dizia a mensagem.

Uma moradora local, Elizabeth Opindo, contou à AFP que falou com os criminosos, que incendiaram sua casa, mas a deixaram viva porque, segundo eles, não matam mulheres.

De acordo com esta testemunha, havia uma dúzia de homens que falavam uma mistura de inglês, suaíli e somali.

"Disseram que nos atacavam porque as terras dos muçulmanos estavam sendo tomadas", disse esta mulher.

Embora um porta-voz dos islamitas somais shebab, vinculados à Al-Qaeda, tenha reivindicado estes ataques, a subchefe da polícia local acusou o grupo separatista Conselho Republicano de Mombasa por este crime.

"As investigações preliminares mostram que o ataque foi realizado por membros do Conselho Republicano de Mombasa", um grupo que exige a independência da zona costeira, declarou Grace Kaindi.

Os shebab também reivindicaram os ataques de junho em Mpeketoni, afirmando que foram realizados em represália contra a presença militar do Quênia na Somália, e pediram que os turistas estrangeiros evitem o Quênia, decretado uma zona de guerra.

No entanto, o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, havia desmentido o envolvimento dos shebab, atribuindo os ataques a redes políticas locais vinculadas a grupos criminosos.

Ao menos 48 pessoas morreram neste ataque contra a cidade costeira de Mpeketoni, no leste do Quênia.

Mpeketoni está localizada a uma centena de quilômetros da fronteira com a Somália e a trinta da turística e histórica cidade de Lamu, patrimônio mundial da Unesco.

O ataque contra Mpeketoni em junho foi o mais letal no Quênia desde o atentado contra o centro comercial Westgate de Nairóbi em setembro de 2013, também reivindicado pelos shebab e no qual ao menos 67 pessoas morreram.

Sobreviventes do massacre em Mpeketoni e de um ataque similar algumas horas depois em um povoado vizinho contaram que os criminosos falavam somali, carregavam bandeiras shebab e que mataram apenas não muçulmanos.

O Quênia foi palco de vários ataques e atentados atribuídos aos shebab ou a seus simpatizantes desde que seu exército entrou na Somália, em outubro de 2011, para lutar contra os islamitas somalis.

AFP