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Palestinos caminham em rua destruída de Chejaya, em Gaza, em 1 de agosto

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A trégua de 72 horas acertada por Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza na madrugada desta sexta-feira entrou em vigor condenada ao fracasso, depois da morte de 27 palestinos e a retomada dos combates.

Além disso, mais de 150 pessoas ficaram feridas pelos disparos israelenses perto da cidade de Rafah, sul do território, onde os serviços médicos não conseguem entrar para tratar das vítimas.

A trégua de três dias acertada entre Israel e o Hamas teoricamente entrou em vigor às 8h da manhã local (02H00 de Brasília).

O governo israelense não tardou em acusar o movimento islamita palestinos e seus aliados de violação flagrante do cessar-fogo.

O Hamas também atribuiu a ruptura da trégua ao Estado hebreu.

"A ocupação (Israel) violou o cessar-fogo. A Resistência palestina agiu em nome de seu direito a se defender (e) para colocar fim ao massacre de nosso povo", declarou em um comunicado o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum.

Além das vítimas palestinas das últimas horas, um soldado israelense talvez tenha sido capturado na manhã desta sexta-feira no sul da Faixa de Gaza, o que complicará ainda mais a atuação diplomática.

"As primeiras informações sugerem que um soldado das forças de defesa de Israel foi sequestrado por terroristas" durante uma operação que pretendia destruir os túneis do Hamas quando estava em vigor um cessar-fogo, anunciou o exército em um comunicado.

O início de negociações para tentar colocar fim ao sangrento conflito que deixou, em 25 dias, mais de 1.450 palestinos mortos, assim como 61 soldados e três israelenses, estava previsto para esta sexta-feira no Cairo.

Mas o Egito, país mediador, informou às autoridades palestinas que iria adiar o encontro em função da possível captura do soldado israelense.

Trégua natimorta

Duas horas depois da entrada em vigor do cessar-fogo, as sirenes voltaram a soar em Israel para avisar de um disparo de míssil perto de Rafah, e a artilharia israelense respondeu prontamente, evidenciando a crescente volatilidade da situação.

Ao anunciar a trégua, o secretário de Estado americano John Kerry advertiu que o exército israelense continuaria realizando suas operações de retaguarda.

O Hamas assegurou, por sua parte, que responderia a qualquer ataque israelense.

Segundo Kerry, o cessar-fogo era "fundamental para permitir aos civis inocentes um alívio muito necessário em meio à violência".

"Durante este período, os civis na Faixa de Gaza receberão ajuda humanitária de emergência e terão a oportunidade de realizar funções vitais, como enterrar os mortos, cuidar dos feridos e se reabastecer de alimentos", explicou.

"Os reparos necessários nas infraestruturas de abastecimento de água e energia também poderão ser realizados neste período de trégua".

O secretário de Estado destacou que realizava o anúncio do cessar-fogo conjuntamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também envolvido na busca de uma solução para o conflito.

"Não há qualquer garantia de que alcançarão um acordo duradouro", admitiu Kerry, no entanto.

População de Gaza sem ilusões

A trégua foi precedida de duas horas de intensos bombardeios israelense e disparos de foguetes palestinos.

O exército israelense anunciou a morte de cinco soldados durante a noite. Na zona de Khan Yunes (sul), 14 palestinos morreram, segundo serviços de emergência.

"Desde o início da guerra, os israelenses disparam mísseis contra nosso bairro", queixa-se Abdelgadir, de 43 anos. "Vejam o que aconteceu com nossas casas. Não resta nada! Não temos água, nem luz, nem paz. Apesar de tudo, vamos continuar aqui", assegurou.

A trégua foi acertada depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu um "cessar-fogo imediato e sem condições que leve a uma paralisação duradoura do conflito, com base na proposta egípcia" de mediação.

Durante a reunião do Conselho, o chefe da Agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Pierre Krähenbühl, disse que a população na Faixa de Gaza está no limite.

Segundo Krähenbühl, que não conseguiu segurar as lágrimas durante sua declaração, as condições de vida nos abrigos superpopulosos da ONU, que reúnem cerca de 220 mil pessoas, "são cada vez mais precárias", em uma situação sanitária deplorável e de riscos de epidemias.

A diretora de Operações Humanitárias da ONU, Valerie Amos, lembrou "a obrigação absoluta" dos beligerantes de proteger ao máximo os civis e os trabalhadores humanitários. "A realidade em Gaza hoje é que nenhum lugar é seguro", lamentou, lembrando que 103 instalações da ONU haviam sido alvo de ataques desde o início do conflito.

O bombardeio, na quarta-feira, de uma escola da UNRWA no campo de refugiados de Jabaliya (norte da Faixa de Gaza), uma das 83 escolas da ONU usadas para abrigar os civis que fogem dos combates, foi energicamente condenado pelas Nações Unidas e por diversas capitais, incluindo Washington.

A Casa Branca disse ter poucas dúvidas de que o Exército israelense tenha sido o autor do ataque e voltou a pedir ao Estado hebreu que "faça mais" para proteger os civis.

Apesar da pressão internacional, Netanyahu alertou na quinta que o Exército "vai terminar o trabalho" visando à destruição da capacidade militar do Hamas na Faixa de Gaza.

"Estamos determinados em concluir" a destruição dos túneis do Hamas "com ou sem cessar-fogo", afirmou Netanyahu no 24º dia de uma nova guerra devastadora, após o anúncio da mobilização de 16.000 reservistas adicionais - elevando o total para 86.000 mobilizados - e do fornecimento de munições americanas.

AFP