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O ano de 2020 no mundo

Em um dos fatos marcantes de 2020, o democrata Joe Biden venceu as eleições presidenciais nos Estados Unidos afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 15. dezembro 2020 - 11:04
(AFP)

A derrota de Donald Trump, a normalização das relações entre Israel e países árabes, o movimento "Black Lives Matter": a pandemia de covid-19 não foi o único evento marcante do mundo em 2020.

- Escalada no Oriente Médio -

Em 3 de janeiro, o poderoso general Qassem Soleimani, arquiteto da estratégia iraniana no Oriente Médio, é morto no ataque de um drone americano em Bagdá, após a invasão da embaixada americana por manifestantes iraquianos pró-iranianos na capital iraquiana.

No dia 8, em represália, o Irã dispara mísseis contra bases onde servem militares americanos no Iraque. Um avião civil ucraniano é derrubado "por engano" algumas horas depois pelo Irã, deixando 176 mortos.

- Crise sanitária -

Em 11 de janeiro, menos de duas semanas após o aparecimento de uma pneumonia misteriosa na China, Pequim anuncia a primeira morte oficialmente registrada por uma doença que seria posteriormente denominada de covid-19, posteriormente qualificada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde.

Em abril, metade da humanidade se confinava para tentar frear sua propagação.

Vários setores econômicos afetados demitem, governos anunciam planos de recuperação maciços. Segundo o Banco Mundial, até 115 milhões de pessoas foram jogadas na pobreza extrema.

Em outubro, uma segunda onda reinicia os confinamentos na Europa.

Em dezembro, o Reino Unido torna-se o primeiro país do Ocidente a iniciar uma campanha de vacinação, após meses de pesquisas para desenvolver o fármaco.

Poucos dias antes do Natal, vários países adotam restrições, incluindo confinamentos. A descoberta de uma nova cepa do vírus, possivelmente mais contagiosa, leva diversas nações a proibir os voos com o Reino Unido.

A pandemia deixa mais de 1,7 milhão de mortos. Co mais de 190.000 mortos e quase sete milhões de contágios, o Brasil é o segundo país do mundo mais afetado, atrás dos Estados Unidos.

- O Brexit se concretiza -

Na noite de 31 de janeiro, a saída do Reino Unido da União Europeia, decidida pelos britânicos em um referendo em 2016, se torna efetiva após três adiamentos. Este primeiro divórcio europeu põe fim a 47 anos de vida comum.

Em 24 de dezembro, Londres e Bruxelas alcançam um acordo comercial, negociado durante mais de 10 meses, uma semana antes do fim do período de transição.

- Acordo EUA-talibãs -

Em 29 de fevereiro, os Estados Unidos e os talibãs afegãos assinam um acordo histórico em Doha, que abre a via para a saída de tropas americanas, após duas décadas de guerra.

O Pentágono anuncia a retirada de cerca de 2.000 militares americanos até 15 de janeiro de 2021. Ficarão 2.500.

- Homicídio de George Floyd -

Em 25 de maio, George Floyd, um cidadão afro-americano, morre asfixiado em Mineápolis, após um policial branco pressionar seu joelho sobre seu pescoço por vários minutos.

O vídeo em que Floyd aparece dizendo "não consigo respirar" viraliza, dando início a manifestações pontuadas pela violência, de uma amplitude inédita desde os anos 1960, pedindo a reforma da polícia e o fim das desigualdades raciais sob o lema "Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam).

Os protestos se espalham pelo mundo.

- China-EUA: cheiro de guerra fria -

Em maio, o presidente americano, Donald Trump acusa a China de ter provocado um "massacre em massa mundial" com o coronavírus, surgido em seu território.

Ao sancionar uma lei sobre a segurança nacional em Hong Kong, Washington evoca o regime econômico preferencial do território.

Em julho, os Estados Unidos infligem sanções a vários dirigentes da região de Xinjiang (noroeste), acusando Pequim de manter em reclusão ao menos um milhão de muçulmanos da minoria uigur. A China desmente, evocando centros de formação profissional.

No fim de julho, tendo como pano de fundo acusações de espionagem, Washington fecha um consulado da China em solo americano, e a medida é seguida por Pequim.

Em agosto, a ByteDance, proprietária do aplicativo de vídeos TikTok, é obrigada a ceder seus ativos americanos. As discussões entre Washington e a TikTok continuam.

Em dezembro, Washington anuncia que não concederá vistos a dirigentes do Partido Comunista Chinê (PCC) suspeitos de cometer violações dos direitos humanos. Pequim ameaça adotar represálias.

- China e o poder sobre Hong Kong e manifestações na Tailândia -

No fim de junho, um ano após manifestações históricas, uma lei polêmica sobre segurança nacional é promulgada em Hong Kong, embora se suponha que desfrute de uma semi-autonomia até 2047, com liberdades inexistentes na China continental.

Uma resolução do Parlamento chinês permite destituir qualquer legislador considerado uma ameaça.

Em dezembro, três célebres militantes pró-democracia, entre eles Joshua Wong, são condenados a penas de prisão por seu envolvimento nas manifestações. O magnata pró-democracia Jimmy Lai, processado por fraude, é colocado em prisão provisória.

Na Tailândia, desde julho dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia pedem a renúncia do primeiro-ministro, Prayut Chan-O-Cha, mudanças na Constituição e reformas profundas da monarquia.

- Explosão em Beirute -

Em 4 de agosto, uma gigantesca explosão deixa mais de 200 mortos e pelo menos 6.500 feridos, destruindo o porto de Beirute e causando estragos em quarteirões inteiros da capital libanesa.

A deflagração, provocada por um incêndio em um entreposto onde eram armazenadas toneladas de nitrato de amônio sem precaução, joga por terra uma economia já em apuros.

- Crise em Belarus -

Em 9 de agosto, o presidente de Belarus, Alexander Lukachenko, é reeleito com folga após uma votação considerada fraudulenta pela oposição ocidental.

Por quase quatro meses, dezenas de milhares de manifestantes pedem sua saída a cada domingo em Minsk. Os líderes da oposição são presos ou forçados ao exílio. Ao menos quatro pessoas são mortas.

Nas últimas semanas, o movimento perde força.

Em dezembro, a líder opositora Svetlana Tikhanovskaya recebe o prêmio Sakharov no Parlamento Europeu, enquanto a UE amplia as sanções contra Minsk.

- Golpe de Estado no Mali -

Em 18 de outubro, o presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, é deposto por um golpe militar após vários meses de crise política.

O golpe é condenado pela comunidade internacional e gera sanções. As mesmas são suspensas em outubro, após a nomeação de um governo de transição, que deve ceder o poder aos civis ao final de 18 meses.

- O caso Navalny -

Em 20 de agosto, o principal opositor russo, Alexei Navalny, é hospitalizado após sofrer um sério mal-estar, antes de ser autorizado no dia 22 a se tratar com urgência na Alemanha.

Vários exames indicam que ele foi envenenado por um agente neurotóxico do tipo Novitchok, uma substância desenvolvida por especialistas soviéticos com fins militares.

O opositor acusa o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás de seu envenenamento,. Moscou rejeita a acusação.

A União Europeia adota sanções contra várias pessoas do entorno do presidente russo.

- Incêndios e furacões -

Em 9 de setembro, San Francisco e outras regiões do oeste dos Estados Unidos acordaram com um céu alaranjado, digno de uma cena apocalíptica, por causa da fumaça dos incêndios que devastam a Califórnia.

Em novembro, dois furacões devastam a América Central, deixando mais de 200 mortos e milhões de dólares em danos.

Na Austrália, em plena onda de calor, gigantescos incêndios destroem 40% das florestas da ilha Fraser, a maior ilha de areia do mundo, considerada um patrimônio mundial pela Unesco.

E regiões inteiras da Argentina, do Paraguai, da Bolívia e do Brasil sofreram com incêndios devastadores.

De acordo com dados provisórios da Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2020 será o segundo ano mais quente já registrado, depois de 2016.

- Normalização com Israel -

Em 15 de setembro, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinam acordos de normalização com Israel na Casa Branca. Os palestinos denunciam uma traição.

Sudão e Marrocos também normalizam as relações com Israel, em 23 de outubro e 10 de dezembro, respectivamente.

- Conflito em Nagorno Karabakh -

Em 27 de setembro, após semanas de retórica beligerante, têm início combates entre as forças do Azerbaijão e as de Nagorno Karabakh, um enclave de maioria armênia, disputado há décadas.

Yerevan acusa Ancara de enviar mercenários da Síria para apoiar as forças azerbaijanas. Baku afirma que armênios originários da diáspora combatem em Karabakh.

Após seis semanas de combates, que deixaram mais de 5.000 mortos, um cessar-fogo é assinado em novembro sob a égide do Kremlin. O mesmo consagra a vitória do Azerbaijão e concede importantes ganhos territoriais.

- Atentados na França e na Áustria -

Em 16 de outubro, o professor de história Samuel Paty é decapitado na região parisiense por um islamita radicalizado, após ter mostrado caricaturas do profeta Maomé a seus alunos durante uma aula sobre liberdade de expressão.

Após o apoio expresso do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, ao direito à caricatura, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, inicia uma campanha de boicote a produtos franceses.

Em 29 de outubro, três fiéis - entre eles uma brasileira - são mortos a facadas na Basília de Nice, no sudeste da França, por um tunisiano que havia chegado recentemente à Europa.

Em 2 de novembro, quatro pessoas são mortas em um atentado islamita em Viena, o primeiro desta proporção a visar a Áustria.

- Constituinte no Chile -

Em 25 de outubro, os chilenos optaram por grande maioria por mudar Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e redigir uma nova, com uma Assembleia Constituinte, após os grandes protestos que começaram em 2019.

- Trump derrotado, Biden eleito -

Em 3 de novembro, os americanos votaram para escolher entre o presidente em fim de mandato, o republicano Donald Trump, candidato à reeleição, e o democrata Joe Biden, em um país extremamente dividido.

Após quatro dias de tensas expectativas, o ex-vice-presidente de Barack Obama é declarado vencedor. Donald Trump, que alega, sem apresentar provas ,que as eleições foram fraudadas, se recusa a admitir a derrota.

Em 14 de dezembro, o Colégio Eleitoral ratifica a vitória do candidato democrata, com 306 votos, contra 232 para o republicano

- Três presidentes em uma semana no Peru -

Em 9 de novembro, o Congresso do Peru destitui o presidente Martín Vizcarra, que substituído pelo presidente da Câmara, Manuel Merino. A decisão provoca uma avalanche de protestos sociais, que deixam dois mortos e centenas de feridos.

Merino renuncia cinco dias depois de tomar posse e o Congresso escolhe como sucessor o centrista Francisco Sagasti.

- Etiópia: conflito no Tigré -

Em 4 de novembro, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, prêmio Nobel da Paz, anuncia uma operação militar contra as autoridades da região do Tigré (norte), que ele acusa de terem atacado duas bases do exército federal.

Os ataques foram inventados para justificar a intervenção, afirmam as autoridades regionais da Frente de Libertação dos Povos do Tigré (TPLF). Este partido foi marginalizado com a chegada ao poder de Abiy, após ter controlado a vida política etíope por quase 30 anos.

Dezenas de milhares de etíopes fogem dos combates rumo ao Sudão.

- Morre Diego Maradona -

Em 25 de novembro morre o astro do futebol Diego Armando Maradona, aos 60 anos, vítima de uma parada cardíaca em sua residência na Argentina, notícia que provoca uma comoção ao redor do mundo.

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