AFP

Raggi, advogada de 38 anos, prometeu melhorar a vida diária dos três milhões de romanos, irritados pela piora dos serviços públicos e das infraestruturas da cidade

(afp_tickers)

Triunfalmente eleita há um ano, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, na época um símbolo do Movimento 5 Estrelas (M5S), apresenta 12 meses depois um balanço decepcionante que prejudica o partido antissistema de Beppe Grillo.

Raggi, advogada de 38 anos, prometeu melhorar a vida diária dos três milhões de romanos, irritados pela piora dos serviços públicos e das infraestruturas da cidade.

"Nada mudou. Os defeitos de Roma continuam sendo os mesmos, e com o tempo pioram", declara Mariano, gerente de um restaurante do bairro romano de Trastevere.

A atual prefeita obteve mais de 67% dos votos no segundo turno das eleições municipais de 19 de junho, e era a bandeira política do M5S, e a demonstração da capacidade do movimento -empatado nas pesquisas com o Partido Democrata (centro-esquerda)- para dirigir o país.

Agora "Raggi fala pouco, aparece pouco, o M5S tenta não falar de Roma (...), melhor não chamar a atenção", disse à AFP o professor Giovanni Orsina, da universidade de Roma.

A AFP tentou obter uma reação da prefeita ou de seu porta-voz, sem êxito.

Os observadores italianos consideram que o fracasso do M5S nas recentes eleições municipais parciais, nas quais foi eliminado no primeiro turno nas principais cidades em jogo, se deve em boa parte ao caso de Roma.

Raggi e o M5S venceram denunciando a antiga classe política e os casos de corrupção, e prometeram que as coisas mudariam.

"Votei nela no segundo turno, sem grande convicção, mas com um pouco de esperança, e um ano mais tarde pensava que algo teria sido feita", opina Massimo, habitante da Cidade Eterna. "Nunca vi uma cidade tão suja como Roma neste momento".

"Os transportes públicos funcionam muito mal, tudo está muito ruim. Nada mudou", garante.

- 'Início catastrófico' -

Raggi teve um começo catastrófico: apesar de sua vitória ser esperada, ela demorou meses para formar uma equipe, vários de seus colaboradores se demitiram ou foram despedidos, outro foi preso por corrupção, e a prefeita continua sem ter chefe de gabinete.

Este fiasco contrasta com o balanço de Chiara Appendino, do M5S, eleita há um ano em Turim, e cuja equipe constituído em dez dias parece funcionar bem.

Diante dessa situação, o líder do M5S, Beppe Grillo, criticou Virginia Raggi.

"Podemos dizer que o balanço é catastrófico de todos os pontos de vista (...). Raggi não soube criar uma equipe dirigente. Não há nenhuma atividade da administração. É uma prefeita interina que administra o dia a dia", disse Orsina, acrescentando que as ruas da capital estão "ao nível do terceiro mundo".

"Não tapar os buracos, não consertar o asfalto, não limpar os espaços verdes, não podar as árvores: ela escolheu não fazer nada" concorda Fabrizio Ghera, chefe dos conselheiros do FDI (direita) no município.

A prefeitura 5 Estrelas tomou, contudo, uma decisão considerada positiva: apesar da indignação do governo e do Comitê olímpico italiano, retirou a candidatura de Roma aos Jogos de 2024, considerando-a "irresponsável" para uma cidade com uma dívida de 13 bilhões de euros.

Segundo uma pesquisa de março, dois terços dos romanos classificaram de "ruim" a ação da prefeitura e de Raggi. Desde então, o calor agravou a situação nos transportes e a coleta de lixo.

AFP

 AFP